Saúde e Bem-Estar

Sempre só?

Adriana Czelusniak - adrianacz@gazetadopovo.com.br
26/09/2010 03:12
Quem não quer ver um filho feliz e cercado de bons amigos? Hoje é comum a criança ter várias atividades além da escola e nessa correria e trocas de turma pode ser difícil conseguir tempo para interagir e criar vínculos. A psicóloga clínica Patrícia Guillon, mestre em Psicologia da Infância e Adolescência e professora de Psicologia da PUCPR, afirma que o primeiro passo para os pais preocupados é observar a criança, perceber se ela é mais tímida e introvertida, ou se está sozinha porque algo de errado está acontecendo. Mas ela afirma que o simples fato de desconfiar que o filho tem poucos amigos não é exatamente um motivo de alarde e que a preocupação é justificada quando ele começa a apresentar mudanças no comportamento. “A criança pode se tornar tristonha, agressiva, passa a recusar coisas que gostava, tem choro fácil e sono atrapalhado. Esse isolamento acontece quando ela abre mão de estar com pessoas da mesma idade, é diferente de quem opta por ter menos amigos e está bem, sem nenhum dos sintomas citados”, explica.
Quando não há um trauma envolvido no afastamento da criança, o comportamento mais retraído pode estar ligado a alguma mudança, seja de escola ou de cidade, ou à timidez e problemas de comportamento. No primeiro caso, geralmente a situação se resolve com o tempo. A timidez excessiva e o mau comportamento, por sua vez, podem exigir apoio de pais, professores ou até de terapia. A psicóloga clínica e terapeuta de família Eneida Ludgero lembra que a família é a principal responsável pela socialização das crianças e deve estar disposta a ajudar. “Se for percebido que ela está com medo de se relacionar, essa criança precisa ser estimulada. Elas precisam de ajuda para desenvolver a autopercepção, a percepção do outro, aprender a conversar e a respeitar”, diz Eneida.
Apoio
Para o pedagogo Rafael Legarrea, as atividades mais livres ou extracurriculares, como educação física, balé e futebol podem dar uma mãozinha para os pequenos se socializarem. “Uma criança que não tem facilidade para se comunicar pode conseguir se expressar muito bem durante uma aula de música e chamar a atenção de outras crianças nesse momento”, diz. Em casa, os pais podem dar um reforço para essas relações. Receber os colegas dos filhos – e também convidar os pais deles – pode ser uma boa estratégia. “Enquanto as crianças reforçam o vínculo entre elas, os pais podem conversar e estabelecer uma relação de confiança, o que facilita futuros contatos”, diz Legarrea.
Serviço:
Psicóloga Eneida Ludgero, fone (41) 3336-1220.
Agradecimento:
Modelo Leonardo Lima Dionísio, fone (41) 9225-9513.