Saúde e Bem-Estar

Separação nas diferentes fases

Érika Busani
19/08/2007 22:38
Lidar com uma criança de dois anos é muito diferente de se relacionar com um adolescente. E quando há uma mudança tão grande na vida dos filhos como a separação dos pais, a preparação e a forma de lidar com as reações em cada idade também mudam bastante.
Para o psicólogo Marcos Meier, que é mestre em Educação e diretor do Grupo Martinus, até os dois ou três anos “não adianta investir tanto tempo em explicações”. “A criança se acostuma com a situação, não há perda.” O que precisa ser bem resolvida – isso em qualquer fase – é a mudança na rotina do pequeno.
Dos três aos cinco, a explicação deve ser objetiva, sem tom de perda. “Vá pelo lado positivo, algo como ‘a mamãe tem uma casa, o papai outra, legal, né?’”, recomenda.
Dos seis aos 10, a criança já tem condições de entender melhor. “Mesmo assim, é uma explicação, não uma troca, um pedido de opinião.” É preciso enfatizar muito que o casal se separou, mas a relação de pai e mãe com o filho continua, que não haverá perdas nesse sentido. E manter a perspectiva positiva, explicando o que haverá de bom nessa nova estrutura. Se a criança reclama porque o pai não vai mais almoçar em casa, por exemplo, diga que há muitos pais que moram juntos, mas não têm tempo ou viajam muito. Sempre sem dramas.
Até essa idade, Meier diz que o papel de explicar o que está acontecendo é de quem fica com a criança. Já na adolescência, quem sai de casa – principalmente quando há outra pessoa envolvida – deve “olhar na cara do filho e contar o que está acontecendo”. E deixar claro que a relação entre eles não muda. A psicóloga Juliane Kravitz complementa que a criança entende a separação de formas diferentes em diferentes fases da vida. “É sempre uma perda, uma mudança na vida dela. É importante que quem estiver cuidando dela tenha isso claro e lhe passe segurança.”
erikab@gazetadopovo.com.br