Saúde e Bem-Estar

Seu filho, você e a web

Adriana Czelusniak - adrianacz@gazetadopovo.com.br
29/08/2010 03:09
Tirar uma foto em uma pose sensual ou repassar uma mensagem com conteúdo agressivo sobre um colega são atitudes co­­­­muns com os adolescentes que utilizam a internet, mas podem levar a grandes dores de cabeça. Wan­­­derson Castilho, diretor da E-Net Security, em­­­­presa de segurança da informação, comenta os desafios dos pais que tentam ajudar os filhos no uso da web. Ele sugere um software que, instalado no computador de casa, monitora todas as páginas acessadas. Invasor da privacidade ou aliado da educação? “Ferramenta necessária”, responde o perito. Confira a entrevista feita por telefone.
Viver Bem – Com o aumento no número de crimes cometidos via internet, o senhor nota que os pais estão mais preocupados com a segurança dos filhos no mundo virtual?
Wanderson Castilho – Está caindo a ficha de que o perigo no mun­­­do real ficou muito maior com o mundo virtual. Os pais têm dificuldades com o computador, com o celular. Dizem que os fi­­­­­lhos sabem mais que eles. Mas isso não impede que o pai dê uma educação adequada ou veja o que está acontecendo. Concei­­­tual­­­­mente, hoje é mais fácil você sa­­­­ber onde seu filho está e o que está fazendo, mesmo que você esteja a milhares de quilômetros. Basta procurar um programa que ajude nesse controle. Antes, mesmo trabalhando a três quadras de casa, o pai não teria a condição de fazer isso.
Quais são as maiores preocupações?
A internet não trouxe nada de novo, mas tem dois pontos básicos que a humanidade nunca conheceu: a potencialidade, pois ela aumenta tudo, e a agilidade, que é a rapidez com que se faz isso. As consequências do uso inadequado da internet são inimagináveis, mas o crime mais comum no Brasil é a difamação, o atentado contra a honra. Grande parte das pessoas acha que publicar fotos em momentos íntimos é legal, mas qualquer um pode pegar aquela foto e fazer uma montagem, colocar dizeres em cima dela. E o nosso Estado não está preparado para isso, as leis usadas para o crime cibernético são muito brandas se considerarmos o prejuízo às vítimas.
O que os pais devem fazer quando percebem que o filho está tendo problemas na internet?
Os pais são pegos de surpresa e dizem: “Não acredito que meu filho faria isso ou tiraria essas fotos, ele é tão tímido”. Mas devemos lembrar que, quando o adolescente senta na frente do computador, está só e pode expressar tudo o que ele quiser. O computador não vai recriminar ou se assustar. O adolescente é um ser inseguro por natureza e na internet se relaciona mais facilmente do que no mundo real. Mas eles não sabem as consequências e aí entra a experiência dos mais velhos, que precisam explicar que um erro na internet, seja ex­­­­por sua identidade ou atingir a imagem alheia, traz sérias consequências pare ele e para seus familiares.
O senhor fala sobre programas que monitoram o acesso à internet, mas e a questão da invasão da privacidade? Esse controle pode atrapalhar a relação pai e filho?
Os filhos não estão preparados para a vida digital, eles não têm noção das consequências. A moderação é como perguntar: ‘Onde você está indo, mocinho?’
Mas se fôssemos comparar, o monitoramento das páginas acessadas não seria como estar espiando em algum canto do bar ou atrás da árvore quando o filho sai de casa?
Pais atuantes se preocupam. Ligam na casa do amigo para saber se o filho está lá mesmo, levam e buscam. Se pudessem, os pais colocariam câmeras sobre a cabeça dos filhos, o que não é possível, mas na internet dá para fazer isso.
Os pais devem contar aos filhos que os estão monitorando? E quando algo errado é descoberto, como deve ser a abordagem?
Os filhos não devem saber que estão sendo vigiados, ou vão usar o computador da lan house ou do amigo. Se o filho faz algo errado, o melhor é não repreender. Mas falar sobre o assunto em geral, comentar casos semelhantes com ele e perto dele quando estiver com outros adultos. Também é bom pedir para os professores abordarem a questão em sala. Tem que saber usar a informação, sem confrontar o jovem, para que ele não se feche. É preciso diálogo, para que ele comece a compreender o perigo que está correndo.
No site
Não sabe o que deve conversar com seu filho a respeito da web? Confira no site do Viver Bem o que ele precisa saber.
Saiba mais
Para conhecer os serviços oferecidos pela E-net Security, acesse www.e-netsecurity.com.br