Saúde e Bem-Estar

Sonho renovado

Franco Caldas Fuchs, especial para a Gazeta do Povo
16/09/2012 03:04
Uma das organizadoras do baile do Santa Mônica Clube de Campo, Andréia Guimarães observa que o baile continua sendo uma ocasião inesquecível para qualquer menina de 15 anos. Afinal, não é toda noite em que uma garota é anunciada publicamente como uma estrela e desfila diante de um público de mais de mil pessoas, antes da tão esperada valsa. “O baile é onde elas brilham. Isso mexe com a autoestima delas e da família toda. Naquela noite a menina vira uma Gisele Bündchen!”, diz Andréia.
Novo frescor
Há cerca de sete anos, o diretor social do Graciosa Country Club Luiz Roberto Pinho Borges percebeu que muitas meninas haviam perdido o interesse pelo baile. Ao investigar o motivo, entendeu que a festa precisava ser renovada. “Entre outras coisas, elas sentiam falta de ter uma banda e um DJ, além de uma orquestra. Era importante ter um evento mais de acordo com a realidade delas”, diz ele, que se empenhou nessa renovação.
Agradar pais, avôs e ainda empolgar, sim, as adolescentes é o grande desafio de um produtor, ressalta Marcos Soares, que organiza o baile do Clube Curitibano. “Jamais pode ter cara de casamento! Tem de ter o frescor da meninada, com um lado romântico.” Uma forma de atualizar o evento é usar a moda e suas tendências. “As cores dos bailes mudaram. Antes era tudo cor-de-rosa e hoje as meninas querem mais cores. Este ano, por exemplo, na decoração vamos explorar os tons pastel e o candy color”, afirma Soares. Segundo os produtores, as fotos e books de hoje também têm uma pegada fashion, presente ainda em aulas preparatórias sobre maquiagem e postura.
Formação
Oficinas sobre etiqueta continuam fazendo parte de uma extensa programação formativa que antecede o baile. Porém, isso também ganha uma nova roupagem. No Curitibano, há oficina sobre etiqueta não só à mesa ou em uma festa, mas também nas redes sociais. No Santa Mônica, as oficinas acontecem este ano em um hotel fazenda e têm também o objetivo de integrar as debutantes. “Queremos preparar as meninas não só para o baile. Queremos abrir uma janelinha para elas continuarem brilhando lá fora”, diz Andréia Guimarães.
Estreia em dose dupla
Diferentemente da mãe Adriana, que não quis debutar, a filha Laura Raad sempre foi fascinada pela ideia. Tanto que fez questão de debutar este ano nos dois clubes em que é sócia: no Curitibano e no Graciosa Country Club. “Quando pequena, lembro de ver as fotos das debutantes nas revistas dos clubes. Eu queria ser igual a elas. Para mim, o baile representa a alegria e todas as coisas novas que estão acontecendo na minha vida”, diz a adolescente. Dentre todas as atividades pré-baile que vem participando, Laura adorou ter feito um curso de maquiagem e ter ido a um chá da tarde numa loja de luxo da capital, para provar looks e joias. A amizade que criou com outras debutantes também tem sido outro grande atrativo desse processo todo. Para a mãe Adriana, por mais que hoje muitas meninas frequentem festas, usem maquiagem e salto ato “bem antes dos 15 anos”, o baile ainda pode ser encarado como um “rito de passagem” que emociona qualquer mãe. “Acho que essa é uma tradição que ainda vai permanecer por muitos anos”, pressente Laura.
Gêmeas capricham para a valsa
As gêmeas Flávia e Fernanda Mussulin adoram street dance. Mas, no próximo dia 29, data do baile de debutantes no Santa Mônica Clube de Campo, elas vão caprichar é na valsa. Para fazer bonito, as duas ensaiam com o pai Edson e o avô Ivan. “Eles dançam muito bem e ensinaram os passos pra gente”, conta Flávia, que está animadíssima para dançar com o ator global Guilherme Leicam, o “príncipe” da festa. “Somos fãs dele! Assistíamos o Guilherme na tevê e achávamos ele lindo”, suspira Fernanda. Dividir essa alegria toda com a mãe Elisabete é também algo bastante especial. “Essa festa é um sonho dela também, que não pôde debutar quando jovem”, diz Fernanda. Com os preparativos e, sobretudo, com a escolha dos vestidos, Elisabete está tão ansiosa quanto as filhas. “A expectativa é grande. Mas sei que vai dar tudo certo!”, diz a mãe. O pai Edson, por sua vez, sente um misto de alegria e tensão. “Confesso que bate uma melancolia por ver minhas filhinhas entrando na vida adulta. Mas fico orgulhoso e feliz por elas!”
Festa, que nada. A tradição é viajar
Ganhar uma viagem internacional como presente de 15 anos é uma opção para muitas garotas que não querem debutar. A estudante Ana Vitória Padrão fez essa escolha. “Quando minha mãe perguntou se eu queria baile ou viagem, não pensei duas vezes”, diz ela, que em junho passou 17 dias passeando pela Disney, na Flórida, e em Nova York. “Saiu mais barato que uma festa e valeu mais a pena para mim. Fiz amizades, conheci novos lugares e realizei um sonho.” Mas que ninguém pense que Ana é contra os bailes. “É legal para quem gosta. Só que acho importante ter liberdade para escolher debutar ou não”, reflete. Na sua família, aliás, a viagem virou tradição, em vez de debutar. Começou com a mãe Marcela Roika, 36 anos, que também foi para a Disney aos 15. “Na minha época, muitos achavam estranho eu não debutar. Hoje talvez o estranho seja debutar”, observa Marcela. Independentemente das escolhas e possibilidades de cada família, Marcela considera importante os pais celebrarem de algum modo o aniversário de 15 anos das filhas. “É legal marcar esse momento de transformação na vida delas. Após essa viagem, senti que a Ana voltou mais madura.”