Quando a primeira sílaba se forma na ponta do lápis, poucos entendem todos os estímulos que a criança recebeu para chegar até ali. Horas de pintura a dedo, furando papel, desenhando com giz de cera, aulas das vogais e consoantes, além de muitas brincadeiras em tablets e smartphones. Logo ela percebe que a letra P do “play” no joguinho é o mesmo P do pato, do porco e da porta, e por um processo autodidata, a criança chega ao ensino fundamental com uma habilidade diferente de antigas gerações. Ler, para elas, é algo mais fácil.
“As crianças têm, hoje, muitos impulsos visuais. São as placas na rua, o computador, a tevê, os livros, tablets e smartphones. A gente vê muitas autodidatas, que têm a informação, mas falta o conhecimento. Aí entra o professor. Muito mais que um mentor, agora ele é um ajudante que permeia o processo de aprendizagem”, afirma Esther Cristina Pereira, psicopedagoga da escola Atuação, há 20 anos trabalhando com educação infantil.
A maior quantidade de estímulos visuais e auditivos, porém, não significa uma real alfabetização, segundo a coordenadora de ensino fundamental do colégio Sion, Marilize Ribeiro de Souza. “Como o visual é muito forte, se a criança olha uma placa e sabe que aquelas letras representam uma empresa X, não quer dizer que ela esteja lendo, mas só que ela reconhece o conjunto de significados”, diz. Porém, a professora concorda que o contato diário com letras, números e figuras, faz com que as crianças avancem nesse processo.
Cachoeira de letras
Banho de linguagem tecnológica é o termo que a psicóloga e assessora educacional da rede dos colégios Marista, Danielle Barriquello, usa para explicar a enorme quantidade de símbolos que as crianças recebem desde cedo e que aumentam a curiosidade pela escrita. “As crianças circulam por esses meios tecnológicos, como navegadores de internet, e ela vai querer saber o que precisa escrever para buscar o jogo, a página, a informação que ela quer”, diz.
Tempo de aprender
Dois anos é o tempo médio que se leva para consolidar o processo de alfabetização, do reconhecimento das letras à leitura e escrita.
5 aos 7 anos
Em média, a alfabetização acontece nas séries iniciais, primeiro e segundo ano, quando as crianças normalmente têm entre 5 e 7 anos.
Influência dos pais
É desconhecida a real influência dos tablets, smartphones e outras tecnologias na antecipação da alfabetização. Certo é que pais alfabetizados e que se interessam pela leitura diária influenciam mais o interesse da criança pelas letras.
Cartilhas existem
É raro encontrar as antigas cartilhas para a alfabetização nas escolas de hoje, mas os livros são bons complementos. Conhecer o alfabeto, a junção das consoantes e vogais fecha o processo de alfabetização. “Hoje é diferente ensinar o da, de, di, do, du, que antes se não aprendia, passava para outro junção e a criança ficava para trás. Agora usa-se uma intermediação: cadu, dado, dedo, cadê. E volta ao da, de, di, do, du”, afirma a psicopedagoga Esther Pereira.
Letra cursiva
Fazer a caixa alta, baixa, letra de forma e cursiva não estão (e nem entrarão) em extinção. O movimento de pinça com os dedos para escrever com os lápis, canetas e giz de cera são essenciais para o desenvolvimento cerebral infantil.
Além das letras
O trabalho manual da escrita facilita a coordenação motora e a lateralidade da criança, principalmente associados com atividades de perfuração, alinhamento, pintura e até mesmo no colocar e tirar o cadarço do tênis.
Visual
Para muitas palavras o reconhecimento de como ela se escreve se dá pela repetição da escrita e da leitura. Termos com SS, S ou Ç; G ou J são os exemplos comuns.