Luiz Otávio, com os filhos Moretz e Emilie, ao lado do pai, Luiz Ernani, e do irmão caçula Miquelle.
A presença dos filhos “temporões” – aqueles que nascem muito tempo depois dos outros irmãos – é cada vez mais comum nas famílias brasileiras. Com os avanços da medicina, muitas mulheres estão deixando para ter filhos depois dos 30. E com o aumento do número de divórcios e recasamentos, novas famílias se formam.
A relação entre irmãos é de extrema importância para a formação do indivíduo. “Com os irmãos, as crianças aprendem a cooperar, dividir tarefas e responsabilidades, repartir, negociar e competir de maneira saudável, assim como no mercado de trabalho”, explica a terapeuta familiar Eloá Andreassa.
O sentimento fraterno deve ser estimulado, mesmo quando a diferença de idade é grande. “Muitas vezes, os pais esperam que os filhos mais velhos cuidem dos pequenos, mas está errado, pois os sobrecarrega com uma responsabilidade que não é deles, explica a psicóloga Solange Maria Rosset. Os caçulas também podem se sentir injustiçados ou então sufocados com a cobrança de outros membros da família, que não sejam os pais.
Novas relações
A diferença de idade entre o neurocirurgião Luiz Otávio Maddalozzo, 36 anos, e do seu irmão temporão Miquelle, é de 33 anos. Enquanto ele curtia e se familiarizava com as responsabilidades paternas na Alemanha, onde nasceram Emilie, 4, e Moretz, 2; o seu pai, o também neurocirurgião Luiz Ernani, 60, vivenciava esta mesma experiência aqui no Brasil, com o seu caçula, que hoje tem 3 anos.
O nascimento de Miquelle transformou as relações da família. Hoje, tios e sobrinhos são criados juntos, como amigos de infância. “Eu e o Miquelle não temos uma relação convencional de irmãos porque ele é de uma geração muito distante da minha, mas não me sinto como o seu segundo pai. Ele é companheiro de brincandeiras dos meus filhos”, conta Luiz Otávio.
Luiz Ernani também não se vê como um avô tradicional. “Geralmente, os avôs cuidam das crianças somente nas horas vagas, mas eu sou pai 24 horas”, explica.
A relação entre ele e o seu primogênito também se transformou. “Geralmente, quando adultos, os filhos acabam se distanciando dos pais, mas com a gente, foi diferente. Além de sermos sócios e de trabalharmos juntos, somos amigos, que compartilham as mesmas preocupações de pai de crianças pequenas. As nossas famílias são muito mais próximas”, conta o filho.