Somos detentores de um triste recorde: nossas crianças são as que passam mais tempo em frente à tevê. Segundo o Painel Nacional de Televisão do Ibope, as crianças brasileiras de 4 a 11 anos, que em 2004 viram 4h48min54s de tevê por dia, passaram a ver 4h51min19s em 2005. Elas ficam mais tempo diante da tela do que com a família ou na escola. Por quase cinco horas diárias, estão expostas a mensagens que deturpam valores. E não é só nos intervalos que isso acontece: muitos programas fazem merchandising, ou seja, trazem a propaganda embutida.
Muitos movimentos lutam contra essa realidade e a discussão tem se estendido às páginas de revistas e jornais. Semana retrasada, o Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), lançou normas éticas para publicidade de produtos destinados a crianças e adolescentes. Entre as recomendações, proíbe frases como “faça como eu, use tal produto” ou “peça para o seu pai comprar”. Também regulamenta os anúncios de alimentos e refrigerantes. Defensores dos direitos das crianças e adolescentes consideram as normas uma atitude positiva. O problema é que o órgão apenas sugere condutas. “O Conar recomenda, por exemplo, que não deve haver merchandising. Aí já mostra sua ineficiência e faz a gente ficar com certa precaução”, diz o sociólogo e jornalista Laurindo Leal, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP. Os especialistas também afirmam que o órgão se adiantou ao projeto de lei de autoria do deputado federal paranaense Luiz Carlos Hauly (PSDB) que proíbe qualquer tipo de publicidade destinada a crianças e adolescentes. De 2001, o projeto está hoje na Comissão de Defesa do Consumidor, onde recebeu um substitutivo da relatora Maria do Carmo Lara (PT-MG) que o abranda um pouco, proibindo a propaganda destinada a esse público entre as 7 e as 21 horas.
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