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Ano escolar acabando, muitos pais e alunos têm de lidar com uma realidade nada agradável: a reprovação. “Não há família ou criança que receba isso com tranqüilidade. Todo esforço é pouco para evitar que aconteça, porque é hipertraumático para a criança, que fica com um sentimento de derrota, acha que é incapaz, que não aprende”, afirma a pedagoga Elisa Dalla Bona, mestre em Educação e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Já o psicólogo e mestre em Educação Marcos Meier não vê toda repetência com maus olhos. “A criança precisa reprovar quando não conseguiu entender a maioria dos conteúdos, tendo a possibilidade de reconstruí-los.” O educador é contra a prática quando o aluno tem dificuldade em apenas uma ou duas matérias. “Falta um olhar mais global sobre a criança, para evitar injustiças.”
O problema, no entanto, é a carga social em cima do aluno, que acaba sendo considerado “burro”. Visão equivocada, que atribui apenas à criança uma responsabilidade que é de todos. “Por muito tempo, crianças foram taxadas como incapazes de aprender. Toda criança tem capacidade. Se não aprende, é porque a metodologia está inadequada, falta condições de estudo, material adequado ou o professor não está empenhado em ensinar”, lista Elisa.
Aos pais e professores cabe dar parâmetros da importância e necessidade do estudo. “O natural é a criança querer prestar atenção em outras coisas muito mais atraentes, como tevê, computador, amigos, brincadeiras. Estudar exige esforço e quando não é fonte de prazer – uma matéria que ela não goste, por exemplo – o esforço é adicional”, fala a pedagoga.
Para motivar seu filho, o primeiro passo é fortalecer sua auto-estima. “O que mais faz a criança se motivar é a auto-estima”, diz Meier. Ele compara duas situações opostas: quando a criança não tem auto-estima adequada, atribui tanto fracassos como sucessos a causas alheias. Se errou, acha que é difícil, foi azar. Quando acerta, acha que a tarefa é fácil, a professora é legal ou a mãe ajudou. Já a criança com auto-estima em dia sabe que se errou foi porque usou a estratégia inadequada. E, quando obtém sucesso, vibra com sua conquista.
Érika Busani
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