O quarto de uma criança é mais importante para a sua formação e o seu amadurecimento do que muitos pais imaginam. É o que afirma a psicopedagoga Úrsula Simons, professora da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). “Ter um canto só seu – desde que respeitado e não só de enfeite – mostra para a criança que ela é capaz de viver sozinha. Expressa a confiança do adulto nela. Quando ela não tem um espaço seu, é passada uma mensagem de que o mundo é perigoso e que ela não é capaz de viver nele. Diminui o seu grau de autonomia, independência e segurança afetiva”, explica.
A falta de privacidade e independência pode até mesmo afetar a capacidade cognitiva da criança. “As crianças não nascem organizadas. Enquanto se reconhecem como indivíduos, criam uma organização interna própria. Elas precisam perceber que existe um lugar certo para dormir, para comer, para tomar banho. Entender a diferenciação entre o ser e o não ser é muito importante, é a base da construção da lógica. Quando os ambientes são misturados, elas não conseguem fazer essa diferenciação e isso pode causar falhas lógicas e problemas de aprendizagem.”
Para a psicóloga Rosa Maria Mariotto, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), à medida que o bebê se torna uma criança, precisa de espaço e de autonomia para perceber que é um indivíduo separado da mãe. “O quarto representa o seu lugar, onde poderá imprimir características próprias, onde ela pode se refugiar. Mas é importante que ela saiba que este local faz parte da casa e que é submetido às leis da família”, observa.
jenniferk@gazetadopovo.com.br
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