Saúde e Bem-Estar

Vantagens e desvantagens

Adriano Justino
24/07/2006 01:43
É bom…
… para segurança, já que os pais localizam o filho com facilidade e ele também pode ligar para os pais.
… porque confere a identificação com o tempo atual.
… se for usado como meio de ensinamento. O filho pode aprender a cuidar de um bem, a administrar os créditos e a lidar com as conseqüências de suas atitudes. Perdeu o celular? Vai economizar a mesada para comprar outro. Acabaram os créditos antes do tempo? Espera o próximo mês.
É ruim…
… porque é um risco para a criança ficar ligada ao consumismo, já que não basta ter um celular, a cada dia há novos modelos, com mais tecnologia e muitos pais acabam cedendo aos apelos dos filhos e trocando o aparelho. O resultado é uma criança voraz, insatisfeita.
… porque em vez de aproximar, pode afastar dos pais e dos amigos. A comunicação fica só nos meios eletrônicos. “Não dá só para criticar a tecnologia, porque ela agrega vantagens. Mas não dá para perder o contato humano, muito precioso para o desenvolvimento das crianças, adolescentes e adultos também”, diz a terapeuta de família Eneida Ludgero.
… porque a criança fica muito imediatista e ansiosa. “Saber esperar é um aspecto inerente ao desenvolvimento. Hoje não se tolera mais a espera”, avalia a psicóloga Vera Regina Miranda.
… se for usado como meio de barganha pelos pais: “te dou para você não me incomodar mais”.
… porque tira a privacidade, já que qualquer espaço pode ser “invadido” pelo celular.
… propicia desatenção. Nas escolas, crianças e adolescentes ficam trocando mensagens durante as aulas. “Nunca se está inteiro nas coisas. Eles estão conversando ao mesmo tempo que jogam, enviam ou recebem mensagens”, diz Vera.
… quando o adolescente liga para os pais sempre que surge algum problema, nunca vivencia o desconforto, que faz parte do desenvolvimento da maturidade.
Quando?
Os psicólogos consultados pela reportagem não arriscam estabelecer uma idade certa para a aquisição do celular. A família não precisa ceder porque os amigos do filho já têm, mas seguir o que acha conveniente. “Frustar os filhos é necessário. O jovem hoje não tem mecanismos para lidar com a frustração”, lembra a psicóloga Vera Miranda.
Nenhuma delas vê vantagens no caso de crianças pequenas e que não saem sozinhas.
Antes de ceder aos apelos, avalie qual a utilidade do aparelho na vida do seu filho. Em que situações ele vai usar, quem vai ligar para ele. “Pense em um contexto geral de ensinamento e coloque regras”, sugere Eneida.
Pesquisa
A TNS InterScience realizou uma pesquisa com 500 famílias das classes A, B e C, de São Paulo e Rio de Janeiro, em dezembro de 2005. Alguns resultados:
36%
têm pelo menos um filho, entre 6 e 15 anos, com celular.
25%
dos que possuem celular têm entre 6 e 9 anos.
91%
das crianças de 6 a 15 anos da classe A têm celular.