Saúde e Bem-Estar

Vem dançar comigo, mamãe!

Danielle Brito
30/07/2006 21:49
dbrito@gazetadodopovo.com.br
A adolescência pode ser um período bem conflituoso entre mães e filhas. Mas há famílias que tiram de letra essa relação. É quando os pais conseguem trazer os filhos para atividades que podem ser feitas juntos. A dança é um bom exemplo. A arte que exerce fascínio desde a tenra infância – quando as meninas costumam brincar de bailarina – tem aproximado mães e filhas adolescentes. “A aula de dança aproxima, uma ajuda a outra. A filha passa a reconhecer habilidades e a admirar a mãe”, conta Silvia Rodrigues, do Estúdio Arte das Danças, que tem turmas específicas para mães e filhas. “Muita gente se incomoda de fazer aulas com adolescentes. Mas tecnicamente esta é uma idade em que já há uma compatibilidade no trabalho motor”, explica.
A psicóloga e terapeuta alternativa Mariliz Vargas Straube faz sapateado com a filha Giulia, 12 anos, desde o ano passado na escola de Silvia. “É muito bom podermos estar juntas. Dançamos até em casa – ela tem uma memória prodigiosa e me ensina o nome dos passos. É uma paixão em comum que fortalece nossa ligação”, afirma Mariliz, que completa: “Também damos boas risadas juntas e neste alto astral vamos aprendendo”.
A estudante Patricia Zabloski, 17, também é parceira da mãe, Marinilse, nas aulas de jazz. “Sempre fomos unidas: o tempo que encontramos para ficar juntas vamos fazer coisas que gostamos”, conta Patricia, que também é colega da mãe no curso de Direito.
Amor x disciplina
Além de aproximar, a troca de experiência em idades diferentes é uma riqueza de vida para ambas as partes. As filhas da bailarina e professora de balé Luciane Reshe, Manuela, 17, e Júlia, 15, tiveram os primeiros contados com a dança ainda nas fraldas. “Elas iam para a academia comigo e a babá. Era quase uma segunda casa”, recorda-se Luciane. A mãe conta que nunca forçou, mas reconhece que influenciou o gosto das meninas pelo balé clássico: ambas dançam, apenas Manuela está “dando um tempo” para prestar vestibular. Há dois dias Luciane e Julia se apresentaram no Festival de Dança de Joinville com outras bailarinas do Studio D na categoria avançado clássico de repertório. No ano passado, elas trouxeram o prêmio para casa. “Às vezes fico nervosa e ela, com sua experiência, me ajuda a ficar mais calma”, conta Júlia, que também auxilia a mãe a corrigir passos em casa.
Luciane observa que nem sempre foi fácil misturar balé e família. “Ver a minha dedicação talvez assustasse um pouco. Sinto que elas têm medo de parar e se arrepender.” Ainda assim acredita que a dança é um grande meio de educação. “Quem tem boa disciplina no balé, tem boa disciplina na vida. A dança proporciona responsabilidade, assiduidade, ensina a respeitar o próximo, os mais velhos e a hierarquia”, enumera a bailarina, que aplicou os mesmos ensinamentos em João Pedro, 12. Mas o garoto nunca se interessou por dança. “Enquanto nós íamos dançar, ele e o pai iam andar de bicicleta, pescar, ir à praia”, conta ela.