Carolina tem 12 anos e teve seu blog invadido por mensagens pornográficas há dois anos. Sua mãe, a designer Gisele Amaral Gradowski, 41, assustada, fez a menina tirar a página do ar. Há um ano, Carol voltou à carga: pedia, insistentemente, para a mãe deixá-la fazer uma página no site de relacionamentos Orkut. Como se não bastasse, há duas semanas, o filho mais novo de Gisele, Gustavo, 9, também se interessou pelo site.
“A gente está num mundo muito vulnerável, as crianças são ingênuas, pode ser perigoso”, preocupa-se a designer. Para tentar convencer a mãe, o menino disse que não falaria a verdade no site. Gisele achou ainda pior: “Como eles vão separar que pode mentir na internet, mas não pode na vida?”, questiona.
Para piorar, Gisele soube que o amigo do filho, também de 9 anos, conseguiu uma “namorada” virtual pelo Orkut, que diz ter 18 anos – mesma idade informada pelo menino. “Não acho adequado e até que me provem o contrário, não vou deixar”, afirma.
Para a psicóloga Tatiana de Souza Centurion, a postura da mãe está correta. “É preferível optar por uma disciplina mais rígida que permissiva. Os meios eletrônicos expõem a criança a questões com as quais elas não têm maturidade para lidar.”
Diferente do adulto, a criança e até mesmo o adolescente muitas vezes não sabem lidar com situações de risco, são ingênuos para saber que tipo de informações podem passar e ainda há o risco de querer fazer brincadeiras que podem fugir ao controle, como montar identidades falsas para ridicularizar colegas.
O risco da exposição cresce ainda mais porque as crianças querem ser “populares”. Para isso, procuram ter a maior quantidade possível de “amigos” em sua rede, aceitando qualquer pessoa que a adicione. “Quanto mais gente agregada, eles se acham mais populares. E isso piora quanto mais nova é a criança”, alerta a psicóloga.
Para ela, pelo menos até os 13 anos, os pais não deveriam permitir o acesso de seus filhos a esses meios eletrônicos, sem se deixar levar pelos argumentos de que “todo mundo tem”. “A criança precisa entender que não deve ser igual a ‘todo mundo’, que nem sempre ‘todo mundo’ está correto.” Os pais devem agir a favor dos filhos, mesmo que eles não entendam isso de momento, Tatiana garante que se sentem protegidos com essa atitude.
E a tarefa não acaba quando derem a permissão, muito pelo contrário. Os pais devem monitorar sempre as comunidades, os scraps, acompanhar e orientar os filhos sobre quais informações podem ou não passar pela rede.
Serviço: Tatiana de Souza Centurion (psicóloga), fone (41) 3019-9553 / Núcleo de Combate aos Cibercrimes, Rua José Loureiro, 376, 1.º andar.
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