Histórico

A graça de ser Lala

Larissa Jedyn
24/10/2005 01:18
larissa@gazetadopovo.com.br
“Meu Deus, como vocês estão velhas!” A frase dita em meio a risos e deliciosa vivacidade tem a cara de Lala Schneider. É uma brincadeira com as amigas contemporâneas que se vangloriam de ter netinhos e bisnetos aos montes. Ela só tem um filho e uma neta, produção pequena para quem resolveu se casar só aos 42, com um rapaz 20 anos mais jovem. Justifica dizendo que não teve tempo para namorar e que foi difícil, mas compensador, ser mãe, esposa e profissional ao mesmo tempo. “Eu não me canso de atuar. Nunca fiquei um ano sequer sem trabalhar. Houve tempos que fiz até quatro espetáculos por ano.” Mas, quando começou, achava até que não tinha jeito pra coisa. E só passou a freqüentar o grupo de teatro amador do Sesi porque a mãe se certificou que ela ia de casa para os ensaios, sem nenhuma escapadela. Mais tarde, já no tempo em que saía cedo e só voltava de madrugada, ouviu a mãe incorfomada perguntar: “Tá virando homem?”
E lá se vão 55 anos…
Mestre
Ao lado de Bibi Ferreira, uma honra para a atriz na época amadora. A ressalva dos seus “tutores” artísticos na época era: Não beba e nem fume nada que oferecerem a você e nem aceite dinheiro. “Teatro profissional era coisa das mulheres da vida.”
Souvenirs
Era a primeira viagem a trabalho, ainda como atriz amadora. Lala foi a Recife, de casaco de lã… E voltou com duas estátuas feitas em pedra-sabão.
Par romântico
O ator José Maria Santos foi seu aluno e marido em três trabalhos. Os dois continuam próximos, agora pelos teatros que batizam na Rua Treze de Maio.
Cenário
Dos objetos revirados no baú, a lanterna – iluminada à vela – era do avô. O estribo de metal, que ajudava a avó a subir no cavalo, e os dois pesinhos usados pelo pai na balança do armazém.
Padroeiro
As coincidências sempre a uniram a São Judas Tadeu. A estátua ganha do chefe, quebrada e restaurada pela amiga virou altar em casa. E de quebra deu o nome à igreja perto da sua casa.
Estrelando
O Meister era fã de Lala nos tempos da TV Tupi. Queria porque queria pintar um retrato dela. Tanto foi que um dia ela aceitou o convite. “Quando cheguei lá só estava ele. Até fiquei com receio… Mas ele só queria pintar meu retrato mesmo”, brinca.