Histórico

A nossa mulher de ferro

Denise Drechsel
09/10/2005 17:46
denised@gazetadopovo.com.br
Única mulher a assumir um cargo no primeiro escalão da Itaipu Binacional desde sua fundação, a diretora-financeira Gleisi Helena Hoffmann, 40 anos, não tem nada da distância sugerida pela posição. Numa mesma personalidade se aliam o jeito amável e a seriedade da gestão de finanças da gigante internacional. Sua trajetória começou com a militância de esquerda no Ensino Médio e depois na Faculdade de Direito de Curitiba. A ideologia despertou o desejo de aplicar seus conhecimentos em favor da justiça social. De mudança para Mato Grosso do Sul, trabalhou na Secretaria Estadual de Reestruturação e Ajuste, em 2000, com a missão de sanear as contas públicas. O aperto bem-sucedido no orçamento suscitou o descontentamento de alguns e a alcunha de “Margaret Thatcher” mato-grossense. Chamada para a equipe de transição do ministro da Fazenda Antonio Palocci, preferiu aceitar o convite de Jorge Samek, conhecido dos tempos estudantis, para trabalhar na hidrelétrica – mais perto do filho, de 4 anos, em Curitiba. Hoje vive entre Foz do Iguaçu e a capital. “Mais do que gerenciar os números, o melhor desafio da minha vida é ser mãe. O amor para mim é mais importante e justifica tudo.” Palavra de vencedora.
Complementaridade
Atuante em um reduto tipicamente masculino, Gleisi desenvolve um trabalho de conscientização na empresa. “Homem e mulher são importantes”, reforça. Os livros sobre a psicologia feminina e masculina são os seus preferidos.
Ídolo
Para ela, um grande exemplo de biografia é a da polonesa militante de esquerda Rosa de Luxemburgo. “Ela era capaz de deixar tudo por amor.”
Meditação
O silêncio é o seu refugio. No sofá da sua sala, medita sobre os acontecimentos do dia e seus desafios. A orquídea é companheira desses momentos.
Arte
O quadro “Alma Grávida”, de um pintor matogrossense, presente do início da gravidez de Gleisi, reflete algumas das suas afeições. “Simboliza a vida, a natureza, a harmonia e o espiritual, gosto muito.”
Paixão
O filho João Augusto e a mãe quando pequena. “Todo mundo diz que ele é parecido com o meu marido (Paulo Bernardo, Ministro do Planejamento), mas até que ele tem algo de meu, não é verdade?”