Histórico

Colecionador de histórias

Érika Busani
28/08/2006 01:59
erikab@gazetadopovo.com.br
Entrar no apartamento de Alberto Asseis, 48 anos, é uma experiência, no mínimo, diferente. “Quando alguém que não me conhece direito vem aqui, já vou avisando que é uma casa de colecionador para a pessoa não se assustar”, ri o diretor de marketing de uma rede hoteleira. Foi sempre assim: ainda estão guardadas as coleções de bolinhas de gude – sua preferida –, pedras, chaveiros, selos, carrinhos… Hoje, paredes, cristaleiras e móveis antigos expõem obras de arte. Ainda assim, ele afirma não se apegar. “Gosto de ter, não no sentido de mesquinhar, acumular, mas de preservar. A arte tem de ser respeitada, um ser iluminado criou isso.” Também diz não necessitar ter tudo que gosta. “Se você admira, leva o sentimento.” A magia, diz, está na história. Ele nunca contou quantas peças tem, mas sabe de todas a origem, desde a menor pedrinha – sim, elas continuam. “A maior coleção que tenho é de amigos”, orgulha-se. A simpatia e o riso fácil explicam. E a descoberta do motociclismo trouxe ainda mais deles. “A moto foi o maior desafio da minha vida. Não é só liberdade de espaço e corpo, mas de mente.”
Desejo
A nota de US$ 1 plastificada traz a inscrição “7 milhões de dólares. Dino Almeida, Natal de 94.” Para Alberto, um presente fantástico. “Amigo não tem de dar presente caro.”
Surpresa
O cartão que fez na 1.ª série no dia das mães, Alberto descobriu guardado quando ela faleceu. “Foram dias de olhos mareados.”
De longe
Outra coleção muito querida é a de chapéus. Esse foi adquirido em Santiago de Compostela, na Espanha.
“Órfão de Elis”
“Chorei muito quando ela nos deixou. Ela é minha referência de música brasileira. Insubstituível.”

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Ainda criança, Alberto admirou a queijeira da mãe, que a prometeu para quando ele tivesse sua própria casa. Foi o início das coleções da vida adulta.
Costume
Ao nascer, ganhou o conjunto de
talheres de prata que guarda até hoje.