Estou aceitando sugestões de como não parecer estrangeira no Rio de Janeiro. É que vou para lá no feriado e tenho muito medo de ser assaltada. Ok, os cariocas que compartilham comigo a geada curitibana dirão que é preconceito, mas vocês não viram nada. Tem uma amiga que, cada vez que me olha, tasca: “Mas é uma estrangeirona”.
Não sei se é a roupa ou o quê. Só sei que, onde quer que eu esteja no Brasil, nunca passo por nativa. Com um baita sobrenome italiano, sou tida por albanesa na Itália. Neta de suecos, por lá me consideram polonesa, olhando de soslaio. E em Israel passei fácil por russa. Os antigos romanos devem ter casado com os vikings da Escadinávia para formar os povos eslavos, só pode ser.
Engraçado que nunca me incluem no clube das etnias valorizadas, só entre os imigrantes mais pobres. Menos no Rio de Janeiro. Lá, de acordo com meu imaginário da capital global do Brasil, quem não se bronzeia não é nacional, e portando tem dólares na carteira. Ou euros, que estão valendo mais.
Aproveitando a deixa, pensei em subir nos coletivos cariocas vestida com uma camiseta de Praga ou da Romênia com os dizeres: “Não me olhe assim. Sou do Leste Europeu”.
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