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Ele logo avisa que não tem “lado B”, sua vida é pintar, pintar e pintar… até nas horas vagas. Mas aos poucos, da conversa meio tímida vai saindo o retrato típico de um artista introspectivo, cujo olhar alcança muito mais do que o nosso, destreinado. Leon Bosko, 50, nasceu Leonidas Boguszewski, filho de italiana com polonês, e foi menino nas ruas de terra do bairro São Francisco, quando no lugar da torre da Telepar ainda havia um campinho de futebol que sujava os tênis dos piás. Queria ser arquiteto, teve de trabalhar na Sapataria Vogue – de seu pai –, mas acabou cursando Belas Artes. Tomou gosto pelas paisagens de campos e marinas, que reproduz com perfeição. O mar agora é companheiro de porta. Há seis meses mudou para Pontal do Sul, onde “a vida é mais barata” e as Havaianas e a bicicleta o levam para todos os lugares. “Como na casa dos amigos e também faço um ranguinho”, diz ele que deixou ex-mulher e dois filhos em Curitiba. Mas Leon não gosta de vestir a capa de artista solitário, se entrosou com estudantes e professores do Centro de Estudos do Mar e caminha na praia acompanhado dos cachorros do vizinho. “Como artista deveria inventar uns traumas, mas felizmente tenho uma vida boa”, ri.
Pincéis, palhetas e tinta, as matérias-primas para os quadros, sempre disponíveis pela casa.
As telas pintadas por Leon expressam o realismo dos locais retratados.
Os chinelos Havaianas são os preferidos do artista.