Histórico

Fim de caso

Larissa Jedyn
25/02/2007 18:24
larissa@gazetadopovo.com.br
É no Rio de Janeiro dos anos 50 que Sílvia Maria, uma mulher carioca, jovem, casada há pelo menos 8 anos, com dois filhos, ambienta as cartas que troca com uma amiga que vive no exterior. O teor das correspondências é sempre o mesmo: a crise no casamento, o desencanto com a relação, o medo da rejeição social e alguns segredos íntimos. Um salto no tempo e outra seleção de cartas, agora de Juliana, que resolveu se separar do marido e escreve para ele enumerando suas razões, queixando-se das faltas e dos excessos. As duas histórias, criadas pelo romancista Flávio Braga, serviram de objeto de estudo para a psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins. O resultado dessa “conversa” é o livro Separação, o segundo volume da série Amores Comparados, que trata de amor, desamor, sexo e fidelidade.
As histórias, ainda que fictícias, são genuínas, cheias de situações factíveis e uma porção de lugares-comuns quando o assunto é o rompimento de uma união. As análises da psicanalista, por sua vez, fazem um registro histórico dos casamentos e descasamentos, as mudanças sociais e legais e falam, sobretudo, sobre como o casamento foi usado como uma arma ideológica contra a mulher, condenada muitas vezes “a passar o resto da vida agarrada a um tronco, sabendo no entanto que não vai morrer afogada”. Segundo ela, boa parte das lamentações surgem pelo fim de um longo e velho hábito, o que causa medo, insegurança, ansiedade. O formato do livro é bom, mas só exibe o lado feminino da questão, o que acaba restringindo a separação à dialética mulheres apaixonadas e sonhadoras versus homens provedores e insensíveis.
Serviço: Separação, da coleção Amores Comparados, de Regina Navarro Lins e Flávio Braga, editora BestSeller, R$ 19,90.
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Ajuda
O Infinito na Palma da Mão
Rubem Alves
Verus Editora
Inspirado pelos versos de William Blake (“Ver um Mundo num Grão de Areia E um Céu numa Flor silvestre”), o filósofo, teólogo, psicanalista e ensaista apresenta uma seleção de crônicas sobre a busca do ser humano pelo sagrado. Nos textos, Alves estabelece diálogo com diversos textos consagrados, como os de Dostoiévski e poemas de Adélia Prado. Para ele, através da simplicidade, da música, das crianças e do belo podemos alcançar o infinito.
Letrinhas
Filhos Partidos – Novela em Três Pessoas
José Carlos Lisboa
Editora Peirópolis
Nesta ficção infanto-juvenil o autor narra a história da separação de um casal a partir do ponto de vista de cada um dos três filhos: Terê, Beto e Márcia. Com sensibilidade, ele busca através de suas três vozes narrativas exprimir sentimentos e reflexões sobre essa mudança de vida involuntária para crianças e adolescentes.
Clássico
Tempo de Matar
Ennio Flaiano
Pode-se considerar clássico o único romance de um dos roteiristas que fizeram a história do cinema. O italiano Ennio Flaiano, que roteirizou sete filmes do diretor Federico Fellini – entre eles, Noites de Cabíria, A Doce Vida e Oito e Meio –, adiantou-se ao seu contemporâneo argelino Albert Camus, ao retratar a aventura cinzenta de um anti-herói pela África em Tempo de Matar. Ao terminar de ler a história de um soldado corroído pela culpa ao longo de uma jornada sinuosa sob o sol escaldante da Etiópia, o leitor não poderá deixar de lamentar o fato de que o romance foi um mergulho singular de Flaiano no gênero – que o trocaria pelos contos breves, os apontamentos e os aforismos. Flaiano escreveu o livro a partir de um caderno de notas que manteve de 1935 a 1936, quando era subtenente na campanha da Etiópia, mas o que fez não é um retrato da realidade da guerra. Ele trata da “sua África”, da qual fala por meio de metáforas relacionadas ao calor, ao cheiro fétido das mulas mortas pelas trilhas, ao estupro de uma mulher nativa e seu assassinato e aos atalhos que levam inevitavelmente a uma sucessão de erros.
Annalice Del Vecchio
Aspas
Meio dia. Duas Borboletas
Por sobre uma Quinta valsaram,
E voando em diração ao Céu
Num Raio de Luz descansaram –
Juntas – depois – elas se foram
Em busca de Mares brilhantes –
Mas não constou em Porto algum –
Menção sobre duas Viajantes –
Sequer do Pássaro distante,
Ou mesmo do Etéreo Mar.
E nem o Barco ou o Tripulante
Notícia souberam me dar.
Emily Dickinson em 75 Poemas
Eu leio
“Estou lendo e gostando muito de Os Anjos de Badaró, de Mario Prata, primeira obra brasileira escrita on-line, com a participação dos seus leitores. É quase um roteiro cinematográfico. E continuo a ler o pessoal da beat generation. É um vício antigo, do qual não consigo me livrar. Do bom e velho Jack Kerouac, estou lendo O Viajante Solitário. Para mim, é uma espécie de Bíblia, que tento levar comigo toda vez que viajo.”
Lelo Penha, publicitário.