Histórico

Irmã superstar

Larissa Jedyn
10/12/2006 22:44
larissa@gazetadopovo.com.br
Batom repassado, uma ajeitadinha a mais no cabelo e ei-la pronta para a entrevista. Bom, qualquer mulher se prestaria a um ritual bem parecido, ainda mais se fosse fotografada. Até mesmo ela. Irmã Custódia Maria Cardoso não é mesmo uma daquelas freiras que habitam o imaginário dos leigos. “Jesus era alegre e dinâmico. Não temos que ser tristes, feias e acabrunhadas para servirmos a ele. Gosto de dizer que estou aperfeiçoando a natureza”, diz ela, que usou hábito durante apenas três anos e não revela a idade em hipótese alguma. Filha de mãe professora e líder política e pai comerciante e líder comunitário, Custódia decidiu muito jovem que queria abraçar a vida religiosa. “Sempre quis amar mais intensamente. Casar e ter filhos até os animais podem.” O seu amor pelo próximo não é romântico, mas pró-ativo: não se abstém das opiniões e faz uso da comunicação e da música como instrumentos de evangelização – ela tem 37 CDs gravados e o projeto de escrever três livros. “Deus não precisa de virgens em sacrifício para acalmar sua ira. Deus precisa de mulheres com braços e pernas, olhos e boca para proclamar sua mensagem”, justifica sua postura, emprestando uma citação do teólogo Leonardo Boff.
Irmã Custódia pertence à Congregação das Irmazinhas da Imaculada Conceição, fundada pela Irmã Paulina – a primeira santa do Brasil.
As imagens de Nossa Senhora lotam as estantes da casa da religiosa. “De todas as viagens que faço pelo mundo sempre trago uma dessas.”
“O meu caminho é mais bíblico que devocional, meu pai já era assim. A minha fé está centrada na palavra de Deus”, diz ela, elegendo a Bíblia Sagrada como seu objeto mais precioso.
A pandurra é um instrumento musical típico da Grécia. Colecionar curiosidades e reproduções dos cartões postais é outro hábito adquirido em suas viagens pelo mundo.