Histórico

Mais um sobre gravidez

Érika Busani
04/06/2006 22:34
erikab@gazetadopovo.com.br
Grávidas são ávidas para saber tudo sobre esse período tão especial. E não é pouca coisa: são sentimentos, transformações do corpo, milhões de providências práticas que devem ser tomadas, o parto, a vida do casal com a chegada do neném…
São muitas dúvidas e uma certeza: o mercado editorial está atento e os lançamentos se sucedem. Assunto tem para explorar. 6.720 Horas – Gravidez sem Dúvida, de Regina Protassio e Sylvia Leal, é mais um desses títulos. Bem-intencionado, é verdade, mas superficial ao tentar abordar tantos assuntos. Numerologia e o que a letra inicial diz da personalidade do bebê, por exemplo, podem até ser divertidos – e até a mais cética das mães vai se pegar fazendo continhas – mas são curiosidades facilmente consultáveis pela internet. Espaço que poderia ser usado para aprofundar mais temas como os tipos de parto e amamentação.
Tudo bem, podem dizer que nada precisa ser assim tão sério, que saber qual a melhor cor para o quarto do bebê faz parte dos preparativos. Mas onde as jornalistas erram a mão mesmo é no tom pessimista da parte em que descrevem a gravidez mês a mês. Quando falam do desenvolvimento do bebê, é ótimo, emocionante para os pais imaginarem as grandes transformações do herdeiro ainda na barriga da mamãe. A gestante, no entanto, não tem a mesma sorte, já que as autoras optaram por descrever sintomas desagradáveis que nem todas as grávidas enfrentam. Ou que podem vir a sentir, só de ler a lista de infortúnios que podem atingi-la.
Serviço: 6.720 Horas, Gravidez sem Dúvida, de Regina Protasio e Sylvia Leal, Carnevale Editores, R$ 39.
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Ajuda
Se Eu Pudesse Viver Minha Vida Novamente…
Rubem Alves
Versus Editora
O intelectural – que plantou árvores, teve filhos e escreveu livros – lança um olhar nostálgico sobre as perdas da vida, um sofrimento que não está ligado a eventos trágicos, mas sim à simples realidade. “Tudo o que amamos, tudo o que é belo, passa.” E são os artistas os “feiticeiros” capazes de eternizar o efêmero através de músicas, poemas. “A beleza da arte nasce da tristeza”, diz.
Letrinhas
Branca de Neve e Outras Histórias
Irmãos Grimm / Tradução e comentários Fausto Wolf / Editora Revan
As pequenas histórias recolhidas por Jacob e Wilhelm Grimm entre 1785 a 1863 são o retrato de uma época em que o fantástico habitava o imaginário popular. Além do cuidadoso trabalho de tradução, o jornalista Fausto Wolf faz observações sobre as histórias e o universo de onde surgiram para que os pais possam responder da melhor forma as perguntas das crianças.
Clássico
Morte em Veneza
Thomas Mann
Gustav Von Aschenbach encarna o intelectual rigoroso, mortificado, para quem o conhecimento se faz pela pedra. Suas férias de verão em Veneza – cidade que é a encarnação da beleza – vão lhe dar a consciência de que o “belo”, tema caro à filosofia clássica, não cabe no silício do saber e que Gustav se aproxima do fim. Morrerá, sim, sem respostas. Ao tomar ciência disso, entra em agonia lenta e torna-se emblema da melodia triste de Mann. O adolescente Tadzio traduz esse conflito. A paixão platônica pelo garoto não segue as regras do amor romântico, o que seria banal. Mann prefere um conceito pouco explorado, o da “ausência”, que vulgarmente traduzimos como “estar sentindo falta de alguma coisa que não sabemos dizer o que é”. Tadzio é tudo o que banimos por julgarmos nos colocar na área de risco. Ele representa a natureza em estado bruto. Quando se dá conta disso, Gustav entende que é tarde demais para ele. Do lugar dos leitores, assistimos a sua agonia. E, por um momento, suspeitamos que viver equivale a ocupar espaços vazios, pois nesses lugares habita o desejo, princípio e fim de todo conhecimento. Não fosse assim, vale dizer, Veneza não existiria.
José Carlos Fernandes
Aspas
“Passou ali toda a noite, às vezes meio adormecido, despertando de quando em quando com um temor, devido à fome; outras vezes, a ruminar seu infortúnio e as suas vagas lembranças, mas concluindo sempre que o seu dever era permanecer dócil e procurar tornar as coisas suportáveis para a família, quaisquer que fossem os aborrecimentos que a situação pudesse impor-lhes.”
De A Metamorfose, de Franz Kafka.
Eu leio
“Estou terminando de ler Amor É Prosa, Sexo É Poesia, de Arnaldo Jabor. É uma reunião de crônicas jornalísticas publicadas por ele. Gosto muito do que ele fez em cinema, das suas crônicas, apesar de não concordar sempre com suas idéias. É raro estar com um livro só como agora. Normalmente estou lendo três ou quatro ao mesmo tempo.”
Alexandre Nero, músico.