Histórico

Minha experiência Waldorf

Danielle Brito
09/09/2007 23:32
Como a maioria das mães da minha geração, sempre me preocupei muito com a educação. Mas, como mãe de filha única, não tinha muita certeza do que era realmente uma boa escola para minha pequena Hannah, hoje com quase 5 anos. Decoração descolada, salas coloridas com pufes e tapetes, apostilas, dia da guloseima, sementinhas germinadas no algodão, balé, judô, xadrez, uniformes de gala, inglês, francês, mandarim e lição para que eles se acostumem desde cedo com a responsabilidade… As pré-escolas de hoje realmente se superam no cardápio de atividades, às vezes para toquinhos de gente que mal sabem caminhar. Definitivamente, isso sempre me incomodou.
Quando a Hannah tinha uns dois anos, uma conhecida me falou: “Bota ela no Cordão, você não vai se arrepender”. “Mas eu já comprei o uniforme”, disse eu, ao que ela respondeu: “Doe”. Eu achei aquilo um exagero tremendo e minha filha freqüentou a escola “sócio-construtivista” o ano inteiro.
Cordão Dourado era uma pequena escola, que funcionava em uma casinha de madeira, cuja única identificação era uma placa esculpida à mão na porta. Fui conhecer, a essa altura já sabendo que se tratava de uma escola de Pedagogia Waldorf, e me encantei.
Era um dia de sol e a dona estava sentada no quintal com uma bacia de frutas que dava aos gomos para as crianças, que se revezavam nos balanços e na mini-oficina de madeira. Sujas, cabelos embaraçados, sem uniformes… Dali a pouco chega um garotinho que havia machucado o dedo, mostra para a professora e ela corre providenciar arnica para passar no ferimento.
Estou sentada na cozinha e me oferecem um chá de capim-limão, um cheiro gostoso invade o ar. As crianças haviam acabado de ajudar a fazer o pão sueco. Aquela manhã, que eu queria na verdade para mim, é uma experiência que hoje posso proporcionar diariamente para minha filha. Uma opção pela simplicidade, pelo acolhimento e até pelas boas amizades que a nossa família acabou travando lá dentro. Um dos princípios desta pedagogia é a liberdade individual, ou seja, as crianças se desenvolvem por elas próprias com o nosso apoio. E entende-se que até os sete anos, o que elas precisam é exercer esse instinto da forma mais natural possível. Não há a preocupação de apresentar resultados e trabalhos aos pais, o desenvolvimento da criança é o que interessa.
A rotina da escola é bem diferente: as crianças desenham e brincam livres, têm contato com a terra, ouvem histórias “contadas de boca”, como diz a Hannah, cantam e, a partir dos 5 anos, conhecem o cântele, instrumento próprio dessa linha. Os brinquedos são todos de madeira e outros materiais naturais e a alimentação é preparada na escola, com a ajuda das crianças. O lúdico, a música e a natureza são muito presentes na Pedagogia Waldorf.
Não, a Hannah ainda não sabe escrever, sabe apenas o que ela teve a curiosidade de aprender sozinha. Não, ela não sabe lhufas de inglês e escolhe com capricho a “roupa de guerra” que quer pôr. Para mim o que importa é o seu espírito quando a pego no fim do dia. Ela vai ter muito tempo para fazer o dever de casa. Por enquanto, seu único dever, é ser feliz.
Saiba mais sobre a Pedagogia Waldorf
Além de “dar um google” você pode ler:
• A Pedagogia Waldorf – Caminho para um Ensino Mais Humano, de Rudolf Lanz
• Os Primeiros Anos da Infância, da Rudolf Steiner
• Filhos Felizes na Escola – Pedagogia Waldorf, o Ensino pela Arte, de Helena Trevisan
• Educação para a Liberdade – A Pedagogia de Rudolf Steiner, de Frans Carlgren e Arne Klingborg
Escolas em Curitiba
• Cordão Dourado, Rua Moisés Marcondes, 777, Juvevê, fone (41) 3252-1982
• Turmalina, Rua Eduardo Sprada, 3.572, Campo Comprido, fone: (41) 3285-8876
Danielle Brito é editora do Viver Bem e mãe da Hannah
* * * * *
Peteca ganha um autor da redação da Gazeta do Povo a cada semana. Quer comentar? Então escreva para o colunista. O e-mail é viverbem@gazetadopovo.com.br. Na próxima semana, a Peteca está com Larissa Jedyn e os “ucranianismos”.