Histórico

Mocinho ou Bandido?

Larissa Jedyn - larissa@gazetadopovo.com.br
18/10/2009 03:06
“Enquanto que os homens na faixa dos 30 anos querem ficar na casa dos pais por mais tempo, ganhar dinheiro, aproveitar a vida, para só então encontrar alguém e formar uma família, os mais jovens es­­­­tão dispostos a construir uma história com alguém. Uma leitura possível é a de que os primeiros, na faixa dos 30, 40, são fi­­­­­lhos do tempo da recessão fi­­­nanceira e, por isso, querem atin­­­gir uma estabilidade antes de encontrar um parceiro. Já os de 20 cresceram em uma estabilidade econômica…”, diz a psicóloga Bárbara Snizek, da agência de relacionamentos Par Ideal.
Ou seja, sob novos paradigmas sociais, os mais jovens veem relacionamento amoroso como consequência natural da vida, enquanto os mais ve­­lhos têm um longo percurso em busca de conquistas pessoais antes de seguirem acompanhados. “O problema é que as pessoas estão confundindo independência com indiferença”, cutuca o escritor Fabrício Carpinejar, autor do livro Ca­­nalha!, vencedor do prêmio Jabuti deste ano. “As pessoas estão sem tempo para aprender, ensinar, trocar. Você já viu quantas exigências são feitas para se encomendar um amor? Se a pessoa não vem do jeito que se espera, se é difícil encaixá-la na sua vida, ela não serve.”
A grande questão, para o psicólogo Rubens Marcondes We­­­ber é a capacidade que as pes­­­­soas – os homens em questão – desenvolveram de lidar com as frustrações. “Há um li­­vro de psicologia arquetípica O Casa­­mento Está Morto, Viva o Ca­­­sa­­­­mento, de Adolf Guggen­­­bühl-Craig, que fala sobre como a instituição casamento é anti-natural. O usamos como salvação, mas ele não é. E como hoje ele já não é condição para uma série de coisas, muita gente o tem deixado de lado. Mas é justamente a ideia de que ele não precisa mais ser para sempre que pode atrair as pessoas. Olhe o título do livro: se ele está morto, viva o casamento! Os ho­­mens e as mulheres mais jovens conseguem lidar melhor com a frustração de um fim e veem a possibilidade de um recomeço, enquanto que os outros assistiram ao sofrimento dos primeiros divórcios e têm medo do que pode vir pela frente”, explica.
Dono de um consultório poético on-line, em que palpita sobre as mazelas emocionais alheias, Fabrício Carpi­­nejar responsabiliza o amor público – aquele que serve para ser exibido e aprovado pelos amigos – como um complicador afetivo das duas categorias de homens jovens. Em miúdos: quando o amor público se torna maior que o amor próprio, a pessoa deixa de fazer o que quer para levar em consideração a opinião dos outros. “Amar a fantasia pronta, a fantasia do outro, é assassinar a si mesmo”, exagera. “Às vezes, as meninas bonitas, mais populares, não dizem nada a você. Você quer mesmo é aquela engraçada, desajeitada, que beija do jeito que você gosta, que tem um timbre de voz que o atrai. O verdadeiro desafio é a imaginação.”
Mas, para chegar nisso, há, segundo ele, um tempo necessário de maturação. As pessoas precisam se conhecer, sem pressa de se envolver ou de apresentar socialmente um namorado (a). “Amar dá trabalho, não dá para minimizar os problemas. É desafiador e estimulante. Mas ser um conquistador dá mais trabalho ainda. Você tem de estar aberto a novas possibilidades, precisa ter fôlego, criatividade e um repertório e tanto para mudar a cantada toda vez que for sair com alguém. Porque ser só um pegador de primeira vez, de uma cantada, é muito triste”, comenta.
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Já pensou que pode dar certo?
Se por um lado a queixa das mulheres de que os homens não querem nada sério, segundo a psicóloga Bárbara Snizek, não tem lá grandes fundamentos, por outro, o discurso masculino de que as mulheres são emocionais demais está ficando démodé. Ok, ninguém aqui inocenta as táticas de vitimização ou de pegação no pé, mas amar alguém do jeitinho que ela é, pode ser muito mais bacana e surpreendente do que seguir um roteiro de conquistas de uma noite só.
“Sabe aquela história que a gente cresce, fica bobo e casa? Pois é justamente isso que a gente precisa ver para crer. Não há como se proteger, seguir um modelo melhor que o outro. Arriscar é o melhor e mais prazeroso dos caminhos. E se resolver se jogar e o resultado disso for paixão, o negócio é aproveitar”, aconselha o psicólogo Rubens Marcondes Weber. O escritor Fabrício Carpinejar ressalta a graça em não sentir vergonha do que não se sabe, de se deixar levar por alguém que o faça fugir aos procedimentos de um relacionamento fugaz. “Aí, meu amigo, você vai se apaixonar.”
Agora, se você não está en­­contrando ninguém, é porque talvez esteja procurando no lugar errado. A balada, por exemplo, não é o melhor lugar para se conhecer um namorado (a). As pessoas não conversam, ficam juntas e se separam. Se as mesmas pessoas se encontrassem em outra situação e tivessem tempo de se conhecer, muito provavelmente se aproximariam”, comenta Bárbara, emendando um último conselho: “Pelos questionários aplicados na agência, vemos que as mulheres romantizam e idealizam suas histórias de amor, já os homens idealizam a mulher que querem. Para ficarem juntos, ambos terão de abrir mão de algumas coisas e aprender a gostar de outras”.
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Língua afiada (foto 1)
‘Aos 20 corremos atrás da bola, aos 30 quem corre é a bola”, avisa o escritor Ronaldo Bressane, 39 anos, que namora, há um ano, uma mulher de 25. “Mas as mulheres por quem me interesso hoje não são muito diferentes das que me interessavam há 10 ou 20 anos. Basicamente, e acho que não só pra mim como também para as mulheres, aos 20 só queremos as mulheres dos sonhos e aos 30 sonhamos com as prováveis. Aos 70 devem só sobrar as possíveis.”
Quando não querem nada, os homens – de qualquer idade –, segundo ele, somem. Querer saber o porquê é tempo perdido. “Que mania de entender as coisas! Quem disse que tudo deve ser explicado? Não entendeu, pule pra próxima pergunta”, avisa. Já sobre elas, diz detestar infantilidade, burrice, tosquice, violência, futilidade, frescura – na hora errada. “Na hora certa, posso gostar de tudo isso.”
A oferta de relacionamentos fortuitos é maior, sim, na opinião dele. “Basta ver o tanto de gente vagando feito alma penada pelos msns, orkuts e facebooks da vida. Mas, se quiser compromisso, tem que se atirar na parada. Não vale ir jantar com alguém e ficar olhando pros lados feito egípcio, já pensando no próximo prato. Se concentre na sua comida!”
Agora, quando o sujeito encontra uma garota incrível pelo caminho e não quer se comprometer… “É um cretino ou um sortudo com chuva na horta”.
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Um canalha redimido?
Se você é mulher e já viu o Manual do Cafajeste (www.manualdocafajeste.com) na internet, respire fundo e leia as próximas linhas. Fomos atrás do autor – o Cafa – para saber o que se passa na cabeça dos homens quando a palavra é “relacionamento”. Segundo ele, há, sim, muita oferta e também muita desilusão para os homens. “É muito fácil ter sexo com alguém que você acabou de conhecer. E esses mesmos homens que ficam com a mulher na primeira noite são os mesmos que falarão mal dela para os amigos e que vão reclamar que não há mulher que presta. Uma grande incoerência, eu sei, mas é o que ocorre”. E isso, na sua opinião, não muda com a idade – desde que a intenção seja diversão e não compromisso.
A grande virada ocorre quando a tal da química entra em ação e o homem percebe que está diante de uma mulher realmente diferente. “É quando o cara não suporta a ideia de ter que dividi-la com outro, não consegue ficar mais longe. Apenas um bobo e imaturo não assumiria um relacionamento diante desses sinais”, diz ele, que se rendeu-se aos encantos de uma leitora do blog e está namorando oficialmente há seis meses. “Você vê, eu sou um exemplo de que relacionamento sério existe. É só ter paciência e não ficar parado.”
E se pelo papo você acha que o nosso Cafa nem é tão canalha assim, conheça um pouco da história do rapaz: “Fui criado cercado de mulheres, e por isso sempre procurei tratá-las bem. Só que com o tempo comecei a perceber que os caras bonzinhos só ‘levavam’. E os caras que pegavam todas, que não davam atenção, não compravam flores, eram os que tinham mais mulheres a sua volta. Foi aí que eu mudei e tive as minhas melhores conquistas – retratadas nos quase dois anos do blog.”
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Vida sem amor, nem pensar (foto 2)
Casadíssimo aos 33 anos, o compositor Fábio Elias não imagina uma vida sem amor. Ou seria melhor dizer sem a sua Maria (Rafart, 45 anos)? “O que eu mais quero é envelhecer ao lado dela. É muito legal conviver com a Maria. Ela é divertida e me incentiva muito em tudo. Não crio expectativas para não decepcionar ninguém e gosto de viver cada dia pensando em como deixá-la mais feliz e confiante de que realmente o nosso amor nos faz pessoas melhores”, derrete-se. Um homem, segundo ele, não escolhe a idade para se apaixonar. O que ocorre é que os solteiros “vão pa­­ra a balada, ficam com algumas meninas, se divertem, até encontrarem alguém para levar para dentro de casa e viver uma verdadeira história de amor”. Simples as­­­­sim. “Eu mesmo, com 20 e poucos, era mais displicente com os na­­­­moros. Queria aproveitar a vida e não levava ninguém a sério. A diferença é que hoje estou bem casado, feliz e valorizo muito mais os momentos ao lado da minha esposa”, comenta ele, apontando para uma possível diferença entre rapazes de 20 e 30 anos: “Acho que os de 20 procuram garotas da sua idade e os de 30 preferem as mais maduras”.
E o palpite final é sobre o que eles fazem quando não estão a fim e o que elas fazem que espanta os homens: “Quando um homem não quer nada, o primeiro sinal é o descaso. Querer sair sozinho ou com os amigos; não levar a pretendente a nenhum lugar; achar que mentirinhas podem resolver uma situação… Já elas, espantam qualquer um com ciúme excessivo, desconfiança, rastreamento no celular, e-mails e sites de relacionamento. Mulher insegura incomoda qualquer ho­­mem”.
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Serviço
Rubens Marcondes Weber, psicólogo: fones (41) 8419-3901 e 3264-2161
Bárbara Snizek, psicóloga da agência Par Ideal, fone (41) 3262-1480.