Quando estava bem acima do peso, a estudante de moda Carla Carrara, 23 anos, não se achava gordinha, mesmo estando com 97 quilos. Agora, um ano e um mês depois de ter passado pela cirurgia e de ter emagrecido 40 quilos, ela desconfia não estar magra o suficiente. “Para comprovar, experimento roupas de pessoas que eu considero magras… E sempre me servem. Daí me convenço.” Ela explica que este não é nenhum mal perto da depressão de estar muitos quilos acima do desejado. “Não cheguei a ter problemas físicos, mas, em compensação, tomei antidepressivos para aplacar a tristeza. Quando vi uma amiga que fez a cirurgia, tive certeza que era isso que eu queria”, comenta ela, que luta contra o peso desde os 12 anos e foi orientada pelo médico a engordar seis quilos para poder operar – fato este condenado pelas instituições médicas. Ela não se arrepende de ter operado, ainda que tenha passado por uma fase de intolerância a cheiros e muito mal-estar por esquecer a hora de comer em decorrência do acúmulo de suco gástrico.
Michelli Moraes, 28 anos, que trabalha no setor administrativo de uma empresa, operou há dois anos e acabou com sensibilidade a leite, gordura e açúcar. O que ela considera até bom, já que isso a ajuda a “controlar” a alimentação. Se não, passa mal mesmo. Outros problemas foram a redução no número de plaquetas, que exige que tome medicamentos e suplementos até hoje, e a queda de cabelos. “Ainda assim, vivo hoje minha melhor fase. Eu já tomei muito remédio para emagrecer, desequilibrei meu metabolismo, tive problemas de pressão, os regimes não davam mais certo”, comenta ela que reduziu de 125 quilos para 73.
A psicóloga clínica Marianne de Paula Soares Guimarães, que presta atendimento na equipe interdisciplinar da Clinihauer, explica que é muito difícil os pacientes se arrependerem da cirurgia. “De mil pacientes ouvi apenas duas reclamações, de pessoas que acreditavam que a vida ia se transformar e não fizeram nada para isso. E pior, já nem tinham mais a comida para se consolar. A partir desse momento, a comida tem que deixar de ser refúgio e a pessoa tem que aprender a vivenciar suas próprias emoções”, explica.
Serviço: Luís Sérgio Nassif, professor de clínica cirúrgica da PUCPR, fone (41) 3244-1022 / Mariana Garcez Pereira de Almeida, psicóloga clínica, fone (41) 3335-8360 / Marianne de Paula Soares Guimarães, psicóloga clínica e presta atendimento na Clinihauer, fone (41) 3027-9652 / Solange Cravo Bettini, responsável pelo setor de cirurgia bariátrica do HC, fone (41) 3262-0504.
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