A alimentação adequada é fundamental para o desenvolvimento da criança desde a gestação. Segundo o pediatra Aristides Schier da Cruz, a alimentação da mãe é determinante para a programação metabólica do feto, que será carregada pela vida inteira da pessoa que está para nascer. “Tanto na vida fetal, quanto no início da vida da criança se ela sofrer ou excesso de algum nutriente ou falta de algum nutriente, ele pode levar essa programação metabólica para sempre”, explica, salientando que os cuidados com a alimentação da mãe devem ser mantidos durante a amamentação. “É necessário que a alimentação da mãe seja equilibrada. São os nutrientes que ela adquire que são repassados ao bebê. Além disso, a ingestão de líquidos merece uma atenção especial. Embora seja natural, pois a sede aumenta muito, ela não pode ser ignorada, tem que tomar água sempre que sentir vontade”, disse o médico.
Dr. Schier da Cruz reforça a importância do aleitamento materno, que deve ser a alimentação exclusiva do bebê até o mais próximo possível dos 6 meses de idade. “Os benefícios são vários: nutricionais, afetivos, econômicos e imunológicos”, explica o médico. “O leite materno contém a concentração correta de nutrientes, o que previne deficiências. Também tem grande efeito imunológico, prevenindo alergias e doenças crônicas do adulto, como o diabetes”, disse.
Apesar da extrema importância do aleitamento materno, o pediatra alerta que a introdução de alimentos complementares não deve ser retardada. “Aos seis meses, além do leite materno, o bebê tem que estar comento papa e frutas”, disse. Já o leite de vaca é contraindicado até o primeiro ano de idade. Assim, para as mães que não podem amamentar, ou que precisam de um complemento, a indicação é o leite infantil industrializado, pois tem fórmulas mais adequadas para a nutrição das crianças.
Ingestão de gordura é fundamental
Outro alerta do Dr. Aristides Schier da Cruz é quanto à ingestão de gorduras. Muitas famílias que adotam uma dieta livre de gorduras a impõem para seus filhos, mas isso pode ser extremamente prejudicial. “Até os 3 anos de idade, a criança tem que comer gordura muito bem. tem que comer a carne, ele tem que comer os alimentos com óleo, molho, normal, tem que ter gordura na alimentação, porque está na fase da mielinização do sistema neurológico e ele não mieliniza sem gordura”, disse. É nessa fase que o bebê desenvolve a capacidade de andar, desenvolve a fala e a visão e tudo isso pode ser comprometido com uma dieta sem gorduras. Um dos erros cometidos pelos pais é oferecer leite desnatado às crianças entre 1 e 3 anos.
Depois dos três anos de idade, segundo o médico, os principais distúrbios de alimentação são comportamentais, por questão de hábito, é comum a ausência de vegetais na dieta, a ausência de proteína animal, ausência de leite e derivados, excesso de guloseimas e de líquidos açucarados, como refrigerantes e sucos prontos. “Isso é ruim por causa da ingestão exagerada de caloria vazia, apenas açúcar. O indivíduo fica saciado e come menos dos alimentos que têm minerais e vitaminas”. Uma alimentação assim pode gerar uma criança obesa e, ao mesmo tempo, com deficiência de alguns nutrientes.
Outra fase crítica na visão do pediatra é a adolescência, com o crescimento da ingestão de refrigerantes e frituras e a ausência de horário para as refeições. “Esses adolescentes passam o dia na escola, nos jogos eletrônicos e dormindo, não têm tempo para comer, fazem uma ou duas refeições, no máximo, por dia. É um distúrbio alimentar, que induz à úlcera de esôfago, estômago, pedra na vesícula”, comenta. “E há, ainda, principalmente nas meninas, os transtornos psiquiátricos graves da adolescência, como a anorexia e a bulimia”, lembrou.
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