A população masculina deve ficar atenta à saúde cardiológica e urológica a partir dos 40 anos. As doenças cardiovasculares dependem de hábitos de vida, como dieta, atividades físicas e obesidade, histórico familiar e doenças associadas como diabete e hipertensão arterial. Elas respondem por 29% das mortes no país, em sua maioria de homens.
As chances aumentam em casos de pessoas com parentes hipertensos, entre aqueles que estão acima do peso, que sejam portadores de diabete, tenham colesterol elevado, sejam tabagistas e estressados mental ou emocionalmente. Para o diagnóstico de problemas cardíacos são realizados exames de sangue, eletrocardiograma e teste ergométrico semestral.
Doenças urológicas
As doenças urológicas, como câncer de próstata, apresentam importante influência genética, por este motivo quem tem histórico familiar deve fazer exames preventivos a partir dos 35 anos. Para os outros, a partir dos 40 ou se aparecerem sintomas compatíveis com a doença. "Surgindo alterações as visitas devem ser frequentes", diz o clínico médico João Luiz Carneiro.
Para os quarentões, normalmente os problemas urológicos se manifestam por sintomas específicos. "Sangramento ao urinar e dores lombares frequentemente relacionadas a cálculo renal são alguns deles, mas há ainda as infecções genitais, que podem ou não ser sexualmente transmissíveis, além de disfunções eréteis, principalmente as de causa psicológica", aponta Anibal Wood Branco, urologista do Hospital Vita.
O sexo forte vai ao consultório
Muitas são as esposas, filhas, irmãs, amigas que já tiveram de convencer os homens a buscarem um médico. Nos consultórios, é comum ouvir frases como "minha esposa me mandou vir para cá" ou "minha filha ficou insistindo". A razão para o homem postergar, procrastinar e até mesmo ignorar os sintomas está enraizada desde tempos passados. O homem sempre foi visto como o sexo forte, o protetor, aquele que vai à caça. E, por isso, não pode demonstrar vulnerabilidade, pois pode ser o primeiro a ser "eliminado".
"Aceitar a vulnerabilidade, na mentalidade masculina, é aceitar que vai morrer, que vai penar", explica a psicóloga especialista em neuropsicologia Giovana Tessaro. Isso acontece de modo diferente com as mulheres, que por serem responsáveis pelas crias, conseguiram desenvolver uma percepção maior do outro e, assim, conhecer melhor a si mesma. A psicóloga explica que o contato direto com os filhos e a maior troca afetiva fez com que a mulher entendesse mais rápido que algo poderia estar indo mal em seu organismo e, com isso, cuidasse muito mais de si. "Em culturas machistas e entre os mais velhos a distância entre homens e médicos é maior", diz ela, apontando a importância da sensibilização masculina para a saúde. "É muito comum que homens cheguem aos médicos após verem amigos passando por alguma situação ruim. Esses exemplos reais, concretos e não muito distantes deles são o que sensibilizam", diz.
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