Sabe aquele desconforto ao levantar da cama, com dores no corpo e na cabeça? Nem sempre a culpa é só do colchão. O travesseiro também garante o conforto e descanso na hora de dormir. "A curto prazo, usar o travesseiro errado causa dor nas costas, que após sair da cama e se movimentar já alivia. A longo prazo, dores crônicas, lesões de disco e articulares e dores de cabeça", explica o ortopedista Xavier Soler i Graells.
Segundo a pesquisa do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mais de 80% dos brasileiros usam o travesseiro de forma errada. Os especialistas apontam duas posições como as corretas para dormir: de lado ou de barriga para cima. Em ambas, é necessário mais um travesseiro entre os joelhos ou abaixo deles. Para quem dorme de lado, o travesseiro tem de preencher o espaço entre a ponta do ombro e a orelha. Quem dorme com a barriga para cima, precisa de um travesseiro mais baixo e macio, apenas para apoiar a cabeça e não forçar a cervical.
Há um mês, a aposentada Regina Lippmann, 58 anos, trata de uma dor crônica na cervical, causada pelo costume de apoiar o telefone no ombro ao falar. Além dos exercícios físicos e da fisioterapia, Regina usa um travesseiro especial, com espuma e textura de gomos. "Ele acomoda bem a cabeça e faz uma tração no pescoço", conta.
Escolha
Outro motivo para a troca de travesseiro é que ele é o principal esconderijo de microorganismos, que causam conjuntivite, eczema, espirros, coceira e asma. Segundo a consultora de sono da marca de travesseiros Duoflex, Renata Federighi, após um ano de uso, ácaros vivos e mortos e suas fezes representam 10% do peso do travesseiro. O ideal é usar um travesseiro anti-ácaro, mesmo que não haja predisposição à alergia. O prazo de validade de um travesseiro varia de dois a três anos, dependendo do fabricante, e leva em conta a capacidade que o material de preenchimento tem de voltar à sua forma original.
O fisioterapeuta Álvaro Wolff aconselha a testar o travesseiro na loja antes de comprar. Alguns materiais são mais indicados pelos especialistas, como o de penas ou penugens, por permitir que a pessoa modele o travesseiro antes de dormir, ou os materiais sintéticos e antialérgicos macios, que permitem que a cabeça afunde neles. Quanto ao travesseiro de viscoelástico, mais conhecido como travesseiro da Nasa, não é recomendável para todos, pois é pesado e demora a responder após deformado.