
Apesar de raro, o câncer de tireoide é o quinto tipo que mais acomete mulheres, segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para 2012. Somente no ano passado, a estimativa é de que 10.590 novos casos entre homens e mulheres tenham sido descobertos.
Segundo a chefe do Setor de Endocrinologia Oncológica do Inca, Rossana Corbo, a incidência desse tipo de câncer tem aumentado. "Antes se pensava que fosse apenas pela melhora no diagnóstico, mas hoje realmente se percebe um aumento", diz.
Porém, o mais comum dos cânceres de cabeça e pescoço tem tratamento e são grandes chances de sobrevivência para quem descobre logo.
Os primeiros sintomas são desconforto no pescoço e a rouquidão, causados por nódulos na tireoide. Ultrassonografias também podem revelar alterações.
Entretanto, a existência de nódulos no pescoço não é indicativo de câncer, já que cerca de 95% deles são benignos. Para descobrir se há ou não câncer, é necessário fazer uma biópsia: apenas os nódulos escuros, com mais de um centímetro ou que tenham características como hipervascularização e microcalcificação acabam sendo investigados.
Tratamento
Para eliminar o câncer de tireoide se recorre à retirada total ou parcial da glândula, dependendo do tamanho e do número de nódulos.
Passada a cirurgia, pode ser necessário ao paciente realizar tratamento com iodo radioativo, em dose única, que elimina os resquícios de câncer. Comumente o paciente necessita apenas de reposição hormonal. O tratamento, especialmente a cirurgia, tem um índice de cura de 80%.
No primeiro ano após a cirurgia o paciente volta ao médico a cada três meses, para fazer uma ecografia, que depois se torna anual, segundo a endocrinologista Gisah Amaral de Carvalho, presidente da Sociedade Paranaense de Endocrinologia e Metabologia e professora da UFPR. Ela diz que a recorrência do câncer é rara, porém o acompanhamento médico periódico é fundamental após a cirurgia.
Depoimento
"Pior é o susto"
Ellen Miecoanski, repórter da Gazeta do Povo
Ninguém imagina que um dia terá câncer. E nem que o tratamento de uma neoplasia possa ser praticamente indolor, mesmo que o médico garanta isso. Pois passei por essas situações em 2011 e posso atestar que o pior que senti foi medo e um desconforto depois da radioterapia.
Apesar de saber que eu tinha dois nódulos na tireoide desde 2009, foi só em maio daquele ano, quando eu estava com 24 anos, que descobri que era câncer mesmo. O diagnóstico veio depois de uma punção com agulha fina, quando senti dor na região pela primeira vez.
Como se tratava de uma neoplasia folicular, o médico oncologista me explicou que não era possível saber se era maligno ou benigno, senão retirando todo o nódulo maior e mandando para exame. Fiz minha primeira cirurgia, e metade da minha tireoide precisou ser retirada.
Veio o resultado, e era mesmo maligno, então foi necessário retirar o restante da glândula e fazer um tratamento com iodo radioativo. Depois de duas cirurgias bem tranquilas, sem ter nenhum mal-estar ou desconforto, foi então que senti dor e meu pescoço inchar.
O tratamento todo durou cerca de três meses e hoje, sem tireoide, preciso tomar o hormônio T4 todos os dias. Sinto "saudades" de uma das glândulas mais importantes do meu corpo, mas nada se compara à sensação de estar curada.
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