alergia

Uma caneta salva-vidas

Adriano Justino
20/06/2013 03:14
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Um importante aliado de quem sofre de anafilaxia – reação alérgica grave com início rápido e que pode causar a morte – ainda não pode ser vendido no Brasil, mas a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) pretende mudar essa situação. O Departamento Científico de Alergia e Imunologia da entidade solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que a adrenalina autoinjetável em formato de "caneta", como a utilizada por diabéticos, seja disponibilizada aos portadores desse tipo de alergia, que atinge principalmente crianças e adolescentes.
Atualmente, no Brasil, ao sofrer anafilaxia o paciente tem que ser levado imediatamente para um pronto-atendimento para ser medicado. "Porém, a doença pode evoluir rapidamente, com risco de morte", diz Raquel Pitchon dos Reis, especialista na área e membro da SBP.
A alternativa salvadora para quem sofre este tipo de reação alérgica em locais afastados de hospitais – principalmente a resultante de picadas de insetos – seria o indivíduo alérgico portar a adrenalina autoinjetável, pronta para o uso e de formato muito prático. "Os níveis de adrenalina têm pico sanguíneo em cerca de 8 minutos após a injeção intramuscular, interrompendo rapidamente o processo de anafilaxia", explica Nelson Augusto Rosário Filho, diretor da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, que também solicitou à Anvisa a liberação da comercialização da "caneta" no país. "Porém, mesmo após a aplicação a reação pode continuar ou recidivar horas depois, sendo necessário o atendimento médico", diz.
Em países em que ela é liberada, a venda é realizada em farmácias com apresentação da prescrição médica ou até mesmo é fornecida para os pacientes sem custo ou com custo simbólico, cita Rachel. "Lá fora cada seringa custa cerca de US$ 100 e o kit vem com duas delas", diz.
Plano de ação
Todas as pessoas alérgicas em risco de anafilaxia devem portar um plano de ação emergencial por escrito e personalizado em caso de ocorrer o processo alérgico. Além de comunicar familiares e amigos, é fundamental portar um cartão que o identifique como alérgico, contendo orientações médicas sobre como agir em caso de manifestação anafilática.
Aguda e letal
Segundo a Organização Mundial de Saúde a anafilaxia é uma doença aguda e potencialmente letal. A maioria das diretrizes de consenso para manejo de anafilaxia preconiza a adrenalina como primeira linha para o tratamento. Entretanto, os autoinjetores contendo adrenalina também são subprescritos, devido ao alto custo do produto, obtido somente via importação.