Turismo
Em edições anteriores deste Suplemento de Turismo, a Gazeta do Povo proporcionou-me a oportunidade de relatar minhas impressões de viagens aos territórios russo e cubano. A minha preocupação, excluindo o aspecto ideológico, sempre foi mostrar as maravilhas dos deslumbrantes cenários dos países visitados e informar ao futuro viajante os fatores exógenos que interferem neste processo de conhecimento turístico dos lugares a serem visitados.
Para um Brasil “quinhentista”, frente a uma China de mais de 5 mil anos de história, é quase impossível proceder comparações de qualquer natureza. O início de minha viagem foi a cidade de Toronto no Canadá, aliás também o término, conforme o pacote turístico. A cidade canadense em termos de organização, planejamento urbano e desenvolvimento social, tenho pouco a comentar, destaco ter conhecido a cidade subterrânea, com todos os equipamentos necessários para o cidadão enfrentar um rigoroso inverno de quase oito meses. Próximo a Toronto, na divisa com os Estados Unidos, conheci as Cataratas de Niágara. Cenário artificial com muitas opções para turistas como shoppings, passeios de barco, muitas luzes e pouca água, se compararmos a nossa Foz do Iguaçu, apesar da rigorosa estiagem, mas isto são caprichos da natureza e não resultados da interferência humana.
Do Japão, Tóquio impressiona pelo aglomerado humano com prédios enormes e muita organização. Lá não verifiquei lixo nas ruas e nem caixas coletoras. Estive em Quioto, Osaka, Nakamura e destaco em particular a visita a Hiroshima, cidade onde pereceu milhares de pessoas, na primeira experiência de aniquilamento de uma população civil através da bomba A. Ao visitar o Museu Memorial da Paz, transitar pelo parque, ver os Monumentos às Crianças e Vítimas do Holocausto Nuclear, refleti sobre a tênue condição humana, que não aprendeu nada com os ensinamentos do Nazareno, particularmente naquele dia 6 de agosto de 1945, às 8h15 da manhã, por obra do bombardeiro americano B-29, o Enola Gay.
China de grandes transformações. Tudo impressiona. Beijing a capital, para nós Pequim, sediará a Olimpíada de 2007 e está se preparando em grande estilo. É um verdadeiro canteiro de obras. Os pontos turísticos mais badalados, a Praça da Paz Celestial e a Cidade Proibida, estavam repletos de turistas chineses, agora liberados para conhecer o seu próprio país. Uma visita à múmia de Mao Tse-tung, pela grande fila para o acesso, leva em média 6 horas para ser realizada, não aquiescemos. A Grande Muralha está a uma hora da capital, imperdível a visita.
Vale a pena conhecer a cidade de Xian, com o seu sítio arqueológico descoberto em 1974, de grande importância e reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. É a cidade dos Guerreiros de Terracota. Recentemente, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco desta história, através da exposição realizada em São Paulo, no Parque do Ibirapuera. Xangai impressiona pelo desenvolvimento e vale visitar a cidade antiga com os seus templos e casario típico. Também visitamos Hong Kong e Macau, antigas possessões inglesa e portuguesa, apesar de terem sido devolvidas para a China em 1997 e 1999 respectivamente, ainda sofrem grande influência desses países europeus. O turista tem que apresentar passaporte, passar pela aduana para ter acesso às cidades como também, ambas têm moeda própria, o dólar de Hong Kong e a pataca para Macau.
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