É do mar de Cumuruxatiba, inclusive, que se avista o monte Pascoal e isso você pode comprovar fazendo um passeio de barco. Só que como os arrecifes de coral existentes na região impedem que uma embarcação de grande porte se aproxime da costa, um barco pequeno se deslocou até a praia e descobriu o Brasil, enquanto as caravelas navegaram um pouco mais até encontrar um “Porto Seguro”.
Depois do reparo histórico, que me foi transmitido logo aos primeiros minutos de estada no pequeno município, aqui vai um convite: se quiser descobrir o Brasil, assim como fizeram os visitantes de além-mar, venha a Cumuruxatiba. Mas prepare-se: não é fácil chegar lá. Partindo-se de Porto Seguro, leva-se três horas percorrendo uma rodovia sinuosa e mais uma hora em estrada de chão batido. Também esqueça tudo o que já sabe sobre as nossas praias. Por lá, você não verá vendedores ambulantes, guarda-sóis ou garrafas pet espalhadas pelo chão. São quilômetros e mais quilômetros de litoral praticamente intacto, águas limpas e quentes, rios cristalinos que deságuam no mar, imponentes falésias e coqueiros.
Fora de temporada – o que significa quase o ano todo – é possível caminhar quilômetros sem encontrar viva alma. A região tem dois únicos “picos” de movimento: a temporada de fim de ano, que vai de 26 de dezembro até o carnaval, e o período de observação das baleias jubarte, que vêm para a região entre os meses de junho e outubro.
Se tiver um pouco de tempo, vale se hospedar numa das pousadas da vila ou alugar uma casa e fazer à moda dos estrangeiros que não trocam “Cumuru” por seus doces lares de origem: fazer um intensivo na cultura local, conhecer os moradores, conversar com os índios pataxó, entrar em alguma briga para defender a região dos exploradores inescrupulosos e desacelerar. Sim, porque lá, a regra é esquecer do relógio e prestar a atenção só na maré (aliás, a região registra a terceira maior variação de marés do Brasil; o fenômeno dá o nome ao município).
Tour
Agora, se sua opção for turismo com prazo de validade, não deixe de fazer pelo menos um belo tour pelas praias da região. Vale ir pelo mar ou contratar um serviço de transfer por terra. Se começar pelo sul, as duas primeiras paradas deste paraíso nacional são Japara Pequena e Japara Grande, escondidas atrás das falésias, que formam paredões de mais de 30 metros e resguardam os eventuais praticantes de naturismo. Vindo para o centro, boas opções de passeio são as praias de Dois Irmãos – de mar calmo e uma pequena cascata que deságua das falésias nas areias monazíticas – e da Areia Preta, própria para canoagem e windsurf. Indo para o norte, as praias vão ficando mais movimentadas. Vale conhecer as praias do Rio do Peixe Grande – com arrecifes e locais de pesca – e praia do Rio do Peixe Pequeno – delimitada por dois rios liberados para banho; a praia do Moreira, que era uma antiga praia de nudismo, e mais dois quilômetros para a frente a praia Ponta do Imbassuaba, que oferece banho de mar ou de rio. E se você se dispuser a andar de carro – um pouco mais, a 18 quilômetros de Cumuru, fica a Barra do Cahy, uma enseada com ondas fracas e areia fina. Esse é o único lugar com quiosque e restaurante. E se você quiser sentar e descansar com uma água de coco em mãos, pode espichar o olhar para o continente e avistar o monte Pascoal. Na volta do passeio, o recomendado é um banho de fim de tarde numa das praias mais centrais, para onde a maioria das pousadas faz vista. Em tempos de maré baixa, é possível caminhar até 100 metros mar adentro e, com alguma sorte, ver os corais.
Outro passeio bacana é visitar a Ponta de Corumbau, um dos vilarejos mais desertos do sul da Bahia que conta com coloridos arrecifes de Itacolomi e corais do Pataxó, que desaparecem com a maré alta. Para chegar lá e mergulhar nas piscinas naturais, você pode percorrer 60 quilômetros de estrada de terra ou optar por um passeio comandado pelos pescadores locais, que dura o dia todo, com saída às 8 e retorno às 17 horas.
A jornalista viajou a convite da Gol Linhas Aéreas Inteligentes e da Cumurutur
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