Turismo

A beleza dos campos do PR

Maria Gizele da Silva
01/02/2007 20:54


Os panelões d’água do Córrego do Pedregulho são os que mais agradam os visitantes.
Respirar ar puro, sentir a brisa fresca no rosto e contemplar o sexto maior cânion do mundo na imensidão da floresta cortada pelo rio Iapó. Esses são os prêmios para quem anda a pé dois quilômetros embaixo de sol entre o centro de visitantes e o mirante do Parque Estadual do Guartelá, em Tibagi, nos Campos Gerais – a 214 quilômetros de Curitiba.
Uma das mais belas unidades de conservação do interior do Estado, o parque completa 10 anos no dia 25 de outubro. Mas o nome da região – Guartelá – é bem mais antigo. Conta-se que ele surgiu com a troca de mensagens entre os pioneiros do local sobre possíveis ataques de índios, quando o alerta “guarda-te-lá” foi entendido como “Guartelá”. Estava batizado o cânion que hoje atrai 1,5 mil visitantes por mês.
Segundo o diretor técnico da Minerais do Paraná S/A, Rogério da Silva Felipe, o cânion originou-se há mais de 400 milhões de anos. A formação é produto dos movimentos geológicos e da erosão vertical dos arenitos (compostos por areia e outros materiais). Destaque para a bela cachoeira da Ponte de Pedra – com 180 metros de altura –, que tem esse nome devido à ponte natural que se formou com a passagem da água pelo arenito.
Nos 798 hectares de área do parque, além de conhecer parte da história geológica do planeta, o turista pode ver de perto a fauna e a flora locais. Com sorte, é possível ver animais e pássaros característicos da região, como lobos-guará, jaguatiricas, cobras, tucanos, pica-paus e lagartos. “Isso aqui é muito lindo”, confirma a analista de sistemas de São Paulo, Luísa Teradaira.
Conforme o gerente do parque, Cristóvam Sabino Queiroz, como se trata de uma unidade de conservação, o objetivo é evitar a degradação, comum à época em que o espaço era liberado à visitação. Mesmo depois de 10 anos da criação do parque, há espaços fechados aos turistas para a recuperação da vegetação natural. Um cactus que está no Bosque das Fadas (local com banquinhos ideais para a parada de excursões de estudantes), por exemplo, exibe marcas da depredação humana, com a inscrição de nomes de pessoas.
“Acima de tudo, queremos a segurança dos visitantes e por isso alguns locais são proibidos”, afirma Queiroz. Foi visando a segurança e o acesso de pessoas em cadeiras de rodas que as trilhas começaram a ser adaptadas no ano passado. Com a orientação da Associação Pontagrossense de Esportes para Deficientes Físicos (Apedef), os degraus do caminho de madeira que perfaz a trilha básica ganharam forma de rampa. Entretanto, ainda falta adaptar o acesso aos panelões do Córrego do Pedregulho.
Assim como o nado nas águas das cachoeiras, esportes radicais, como escaladas e rafting, e bebidas alcoólicas, são proibidos no parque. Quem gosta de acampar, também não pode esperar nada dentro do Guartelá. Há cerca de quatro anos, a área de camping foi fechada. De acordo com o gerente do local, a medida resultou na menor interferência do homem nas áreas de campos e na redução do risco de incêndio, já que os antigos visitantes faziam fogueiras para se aquecer à noite. Os esportes radicais e os acampamentos são permitidos fora da área do parque e controlados por propriedades particulares.