A convite, fiz uma viagem de 10 dias para o Norte e Nordeste do país, com o objetivo de conhecer e estudar coleções particulares para o levantamento de acervos para a curadoria de uma exposição de objetos de arte. Nessa viagem, estive em contato com alguns dos maiores colecionadores dessas regiões do país. Pude atestar a beleza e a riqueza das peças raras que o Brasil produziu nos séculos 17 e 18.
Ao contrário das coleções dos grandes centros, observei que os colecionadores destas regiões trazem um regionalismo fundamentado em suas raízes e no próprio berço. Em especial, os colecionadores nordestinos, que são muito agradáveis, tendo um comprometimento enorme com a arte de sua terra. Eles fazem questão de mostrar todos os detalhes e de trocar todo o tipo de informação. Apesar de ser um trabalho árduo, o de pinçar peças e de escolher quais poderiam melhor compor uma exposição, pude aproveitar também toda a riqueza cultural e histórica que as coleções oferecem. Sem contar as belezas naturais e arquitetônicas, que, com novos investimentos na região e recentes descobertas arqueológicas, fazem o lugar ficar ainda mais belo.
Uma das coleções que mais chamou minha atenção, foi uma em Maceió, no Museu de Arte Sacra Pierre Chalita. O museu abriga diversos tipos de objetos, como mobiliário, porcelana, arte sacra, dentre outros, nacionais e internacionais. É uma das coleções de maior importância no cenário brasileiro, mas ainda desconhecida do grande público. Altares em madeira dos séculos 18, santos barrocos dos mais variados tamanhos, objetos em prata dos períodos Dom João V e Dom José e porcelanas compõem a rica coleção. São seis décadas de dedicação, muitas viagens e histórias pitorescas, até conseguir reunir esse acervo tão rico e variado. O museu fica na Praça Floriano Peixoto, 44. Está aberto para visitação de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30.
Em Recife conheci outras coleções, e também fui a um importante sítio arqueológico, recentemente descoberto, datado da época em que os holandeses comandavam a região. Para ter total controle de quem entrava e saía de Recife, os holandeses construíram uma extensa muralha ao redor de toda a cidade. Com esta recente descoberta, as escavações começaram e os visitantes podem ver trechos da explêndida construção. Em algumas áreas é possível observar o processo de restauro em andamento, e outros já concluídos, inclusive no interior de algumas edificações, já escavadas e devidamente restauradas.
Olinda também fez parte do roteiro. A cidade é um maravilhoso conjunto arquitetônico tombado pela Unesco, com seu valor histórico reconhecido internacionalmente. Porém, ela não detém todas as suas informações sobre a arquitetura original. Em Olinda visitei monastérios e clausuras, que são locais reservados apenas aos monges, onde muitas pessoas não têm acesso. Também estive em uma imponente edificação construída no século 17, que já abrigou um convento no século 18, e hoje é uma residência particular de singular beleza.
A riqueza e a nobreza cultural que o Nordeste abriga é tão vasta que ela se manifesta em todas as vertentes das artes. Mesmo os leigos, mas apreciadores das artes, desfrutam do encanto e fascínio que a região delicadamente oferece. É a História do nosso país contada passo a passo, ano a ano, através dos tempos.
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