A partir do Morro de Monserrate, um dos pontos mais altos de Bogotá, é possível ver uma cidade de contrastes. Os prédios de tijolinhos, que ocupam boa parte das áreas nobres da cidade, pouco têm a ver com os casarões do século 15 que encantam quem passeia pelo centro histórico. Mesmo assim, existe um charme único que envolve todos os cantos da capital colombiana, colonizada pelos espanhóis e que ainda guarda muitas heranças daquele período enraizadas nos costumes, na culinária e na arquitetura.
O momento para visitar a cidade é bom. Nos últimos 20 anos a população de Bogotá viu despencar os índices de violência e criminalidade na capital. De fato, a sensação de segurança ao passear pelas ruas é grande, principalmente por conta da presença de policiais em quase cada esquina. Bike-friendly, grande parte das ruas e avenidas da cidade tornam-se enormes ciclovias aos domingos, quando são fechadas para carros durante a maior parte do dia.
Rota para os Estados Unidos, muitas companhias aéreas oferecem voos com escalas em Bogotá no caminho para Miami ou Nova York – sem contar a parada obrigatória na capital para ir a outras cidades do caribe colombiano, como San Andres e Cartagena. Por isso, vale a pena destinar alguns dias da viagem para conhecer um pouco mais da quarta cidade mais populosa da América Latina. Localizada a mais de dois mil metros acima do mar, Bogotá tem a capacidade de tirar o fôlego – e não só pela altitude.
Setor histórico reúne museus e casario
Passear pelo bairro da Candelária é um bom ponto de partida para começar a explorar Bogotá. Reduto boêmio e intelectual da cidade – algumas universidades estão localizadas por lá –, as ladeiras guardam memórias da época da colonização pelos espanhóis, marcadas principalmente na arquitetura. Na Praça Simón Bolívar estão imponentes prédios do Congresso da República, do Palácio da Justiça, da Catedral Primaz da Colômbia e do Palácio do Liévano, a prefeitura da cidade.
Por perto, também estão localizados dois museus que valem a visita: o Museo del Oro e o Museo Botero. No primeiro, fica em exposição a maior coleção mundial de objetos trabalhados em ouro: são mais de 34 mil peças de ourivesaria e 20 mil artefatos das culturas indígenas locais, que recontam um pouco da história colombiana e das sociedades que lá viviam antes da chegada dos europeus.
Já no Museo Botero, o homenageado é o artista colombiano Fernando Botero, natural de Medellín. Dono de um traço inconfundível, com personagens gordinhos, carregados de humor e ironia, o figurativista tem 123 quadros e esculturas de sua autoria no museu, dividindo espaço com obras de outros 85 artistas internacionais.
Compras
Aos domingos, um dos programas preferidos, tanto dos bogotanos quanto dos turistas, é passear pelo mercado de pulgas do bairro de Usaquén. Nas barraquinhas de rua, que vendem roupas, objetos de decoração, brinquedos, comidas típicas e antiguidades, não precisa ter vergonha de pechinchar. Simpáticos, os vendedores são bons negociadores e, papo vai, papo vem, dá para conseguir um bom desconto.
E, se caminhar dá fome, nos arredores da feirinha também existe uma grande variedade de restaurantes para todos os gostos, desde culinária colombiana à cozinha internacional, como cantinas italianas e temakerias.
Fôlego
Terceira capital mais alta das Américas, perdendo para La Paz, na Bolívia e Quito, no Equador, Bogotá tem no Cerro de Monserrate um mirante que faz brilhar os olhos. Lá de cima é possível ver a cidade toda e, no fim do dia, o pôr do sol é um show à parte. No alto do morro existe uma capela dedicada à Virgem de Monserrat. Para chegar ao topo, pode-se escolher dois tipos de transporte: o funicular, um ônibus elétrico; ou o tradicional teleférico, semelhante ao bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Como o mirante fica mais alto ainda, mais de três mil metros acima do nível do mar, é normal sentir a cabeça um pouco pesada. Algumas pessoas têm náuseas, fadiga e perda de apetite. Em geral, os efeitos do ar rarefeito costumam desaparecer depois de alguns dias. Já a vista do Cerro de Monserrate fica para sempre na memória.
Área nobre tem restaurantes e lojas de grife
Não é só de passeios históricos que vive Bogotá. Na chamada Zona T, a arquitetura moderna e o ar europeu dão outra cara à cidade. O bairro nobre da capital é um grande polo gastronômico, comercial e hoteleiro. Ficar hospedado por lá é garantia de estar próximo dos restaurantes mais badalados e das grandes lojas de grife, como Dolce & Gabbana , Bulgari e Versace. Boa notícia para quem quer fazer compras: os preços são mais em conta do que no Brasil.
Restaurantes
Tão rica quanto as jazidas de ouro e esmeralda exploradas pelos espanhóis na época da colonização, a culinária colombiana é um convite para deixar de lado a dieta. Para quem gosta de pescados, a dica é o restaurante Varadero, também localizado na Zona T. O nome – o mesmo de uma cidade de Cuba – dita o tom: cozinha caribenha, acompanhada de muita salsa nos alto-falantes. Ladeados de patacones (banana da terra frita em fatias estilo batata chips) e arepas (uma massa de milho bastante saborosa), as postas de peixe e os ceviches de frutos do mar fazem bastante sucesso.
Já a carne vermelha é a base para os principais pratos do Andrés Carne de Res, o restaurante mais tradicional da Colômbia. Figurinha carimbada em qualquer guia turístico do país, ele é localizado em Chía, uma cidadezinha próxima de Bogotá, e tem um cardápio tão grande que mais parece uma enciclopédia. Para quem está na Zona T, vale conferir o Andrés D. C., filial da casa, que tem quatro andares temáticos: Inferno, Terra, Purgatório e Céu. É de se perder no pecado da gula.
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