Turismo

Dois trechos pra lá e um pra cá

Anna Paula Franco
05/12/2013 02:01
Fica cada vez mais difícil resistir aos apelos de Miami, no sul da Flórida, nos Estados Unidos. Não bastasse a coleção de shoppings e outlets com preços convidativos, a nostalgia decadente da Ocean Drive e o movimento fervilhante da Lincoln Road, a cidade oferece ainda opções de passeio que incluem arte e esporte. Brasileiros estão por toda parte – no ano passado, 690 mil gastaram US$ 1,5 bilhão na cidade –, tornando mais amigável a experiência da viagem internacional, especialmente para quem sai do país pela primeira vez.
O espanhol é tão ou mais ouvido nas ruas do que o inglês e já é o segundo idioma oficial da cidade. Mas muitos estabelecimentos contratam vendedoras que falam português e até o sistema da American Airlines, a companhia aérea que opera 70% dos voos do Miami International Airport (MIA), tem opção de menu no idioma, facilitando a rotina do turista brasileiro. Desde o fim de novembro, quem mora na região Sul do Brasil tem uma facilidade extra pra embarcar e curtir o combo compras/cultura/sol e praia do destino. O voo de Curitiba-Porto Alegre-Miami, da American Airlines, começou a operar com boa ocupação e oferece algumas vantagens ao passageiro.
Quem embarca em Curi­tiba, para sair às 9h25, faz uma parada de uma hora e meia em Porto Alegre. Ainda que o desembarque seja obrigatório, para limpeza e procedimentos de segurança da aeronave, o período é menor do que grande parte das conexões em São Paulo ou Rio de Janeiro. A partida de Porto Alegre é às 12h30 e o voo tem nove horas de duração, chegando em Miami às 18h30, horário local. Os bilhetes da classe econômica, para os voos a partir de Curitiba, custam em torno de R$ 3 mil, ida e volta. Para fazer o mesmo voo com conexão em São Paulo, o passageiro de Curitiba vai pagar R$ 4 mil, ida e volta. A grande vantagem da operação do Sul, porém, é a volta. O voo direto para a capital do Paraná parte de Miami às 20h30. Desta vez são os passageiros a caminho de Porto Alegre que descem no Afonso Pena para procedimentos de reembarque, pois a mesma aeronave faz a viagem de volta. Para quem fica em Curitiba, o pouco movimento na alfândega e o Duty Free compacto tornam a chegada mais rápida e confortável. Uma vantagem importante depois de circular por corredores em shoppings, esquadrinhar praias, parques, calçadões e o saguão de aeroporto e estar ansioso para chegar em casa e distribuir abraços e presentes.
Além das compras, arte e esporte estão no roteiro
Miami oferece encantamento dentro e fora dos corredores dos shoppings. Vale curtir distritos vizinhos e até uma partida de basquete
Chegar no fim da tarde em Miami dá tempo ao passageiro para fazer check in no hotel e ainda curtir a noite na Lincoln Road ou Ocean Drive, pontos de concentração de restaurantes e lojas lotadas de turistas o ano inteiro. A noite de sono reparadora vai ser importante para cumprir a maratona do dia seguinte, que pode incluir o roteiro de compras nos shoppings e outlets – Dolphin Mall, Aventura Mall, Bal Harbor Shops, Bayside Marketplace ou o Sawgrass Mills, para citar os mais procurados – ou a exploração da cidade a bordo dos coloridos trolleys, serviço de ônibus turísticos gratuitos que circulam pelo centro e na grande Miami. Basta observar nos pontos de ônibus urbanos as indicações de parada dos trolleys.
As cidades vizinhas – Miami faz parte de dois condados, que reúnem mais de 70 cidades no entorno – têm perfis diferentes de Miami Beach ou South Miami, regiões tipicamente turísticas. Coconut Grove tem áreas verdes que convidam a um passeio de bicicleta. É o lugar do palácio de veraneio do Conde de Vizcaya, aberto à visitação e onde os jardins abrigam espécies de plantas do mundo inteiro. Animais de estimação são bem-vindos em parques, restaurantes e pontos turísticos locais, que ainda oferecem água e mimos aos bichinhos.
Em Coral Gables, as casas exibem trapiches, onde lanchas e iates repousam nos canais. Gramados impecáveis – desleixo rende multa aos moradores – emolduram as ruas largas. É a riviera americana, lugar do histórico hotel Biltmore, fundado na década de 1920, e da Venetian Pool, a maior piscina artificial do país, que reabre em fevereiro de 2014.
De volta à área central de Miami, outra boa opção de passeio é a exploração do Wynwood Walls, uma espécie de segunda geração do Design District, na mesma região que já concentra galerias de arte, lojas de grife e restaurantes refinados. Wynwood tem o colorido dos grafites produzidos por artistas de todo o mundo, inclusive os brasileiros ­osgêmeos, que decoram a parede do restaurante homônimo, onde o visitante pode apreciar comida latina e circular por muros e painéis inspiradores. A região inteira é um convite a descobertas, feitas a cada passo da caminhada pelas lojas descoladas de roupas, móveis e objetos, além de cafés e restaurantes. O lugar merece um dia inteiro de visita, com direito a tropeçar em artistas em plena criação, no meio da rua.
Se a rotina de compras, praia e arte ainda não for satisfatória, dá para arriscar um american way of life e encarar um jogo de basquete no American Airlines Arena, na Biscayne Boulevard, a casa do Miami Heat, o time de basquete da cidade, campeão da liga NBA de 2012. Não é preciso entender regras nem ser torcedor do time para curtir a arena moderna e confortável. Com lugares a partir de US$ 45, o visitante desfruta de verdadeiros espetáculos a cada minuto de jogo – ou de intervalo. Começa na apresentação dos jogadores, recepcionados com lança-chamas no meio da quadra. Daí em diante, sorteios, homenagens, danças e entretenimento fazem parte do programa. Fácil sair fã do Miami Heat desde criancinha, com direito a comprar suvenires na loja lotada, no fim da partida.
A jornalista viajou a convite da American Airlines, The Setai Hotel e Great Miami CVB.

Isso é tão Miami!