Em junho de 1980, depois de pesquisar in loco, o caderno de Turismo da Gazeta do Povo publicou matéria sobre o mais famoso detetive do mundo. À época, o n.º 221-B da Baker Street não existia, e no local que corresponderia ao número havia um edifício sem nada a ver com as histórias de Conan Doyle. O que existia, perto dali, era um hotel com o nome Sherlock Holmes – ele ainda existe, fica no n.º 108 e foi totalmente reformado em 2002, sendo hoje um aconchegante hotel-boutique, cobrando diárias a partir de 88 libras em seus 119 apartamentos.
Longe do lugar, no número 10-11 da Northumberland Street, a uma quadra da Trafalgar Square, existe há cerca de 50 anos o restaurante e pub Sherlock Holmes – servindo não apenas a cerveja à temperatura ambiente como comidas tipicamente inglesas: torta de rins, empadão de carne de carneiro ou pudim de pão. Subindo uma escada, chega-se à sala-museu dedicada ao culto do personagem. Estão lá objetos como o cachimbo, a caixa de fumo, a capa, o boné de duas abas de lã quadriculada, o violino, além da mesa-laboratório onde Holmes fazia suas experiências e descobria pistas inacreditáveis.
Em exibição, uma carta de Conan Doyle a sua mãe, afirmando que já tentara “matar” o personagem duas vezes sem o menor resultado. “O público continua exigindo e eu termino por ceder. Mas desta vez, mamãe, eu vou escrever de tal forma que se torne impossível ressuscitá-lo.”, relatou o autor à mãe, referindo-se à história O Problema Final, de 1893, em que ele “mata” Holmes. No bar, são vendidos alguns poucos suvenires – entre eles canecos a 5,95 libras, copos 6,95, postais 0,80.
Mas o passar dos anos trouxe nova vida a Sherlock. Cresceu ainda mais sua fama – mesmo ele tendo “morrido” no final do século 19! Aumentou tanto o interesse de sherloquianos do mundo inteiro que hoje, nos cinco continentes, existem sociedades dedicadas a sua memória. Para aproveitar essa onda, há 17 anos uma casa na Baker Street, que tinha o n. 259, adotou o mítico n. 221-B. Ali foi instalado um museu e uma loja com centenas de itens à venda, e um guarda postado à porta, posando para fotografias.
Por essas e por outras, vê-se que Conan Doyle não conseguiu “matar” seu mais famoso personagem, que sobrevive no imaginário de fãs de todo o mundo.
Serviço – Para visitar o endereço da Northumberland Street, pegue qualquer ônibus que passe pela Trafalgar Square. Já para a Baker Street, vá de metrô ou ônibus que leve à estação de Marylebone Avenue.
Colunistas
Agenda
Animal


