Turismo

Entre o mar e as montanhas capixabas

Gabriel Azevedo
16/05/2013 03:01
Em pouco mais de cinco horas de passeio pelas montanhas capixabas, foi possível contar pelo menos três noivas tirando fotos para o álbum de casamento. Se o número incluísse os casais de namorados, talvez não houvesse tempo para prestar atenção no visual que inspira tanto romance, e que serviu como cenário de Canaã, obra-prima do imortal maranhense Graça Aranha.
Há duas maneiras de explorar as montanhas do Espírito Santo: de carro e de trem. A melhor opção é mesclar os dois, primeiro pelos trilhos, depois, na rodovia. Batizado de Trem das Montanhas Capixabas, o passeio percorre um trecho de 46 quilômetros pela Mata Atlântica usando uma litorina, um único vagão, movido a diesel, com 50 poltronas de couro, grandes janelas, ar condicionado e serviço de bordo.
A viagem começa em Viana, cidade de influência açoriana, localizada a 23 quilômetros de Vitória. A pequena estação é um charme. Foi inaugurada em 1895 como parte da fer­­rovia que ligava Vitória a Cachoeiro de Itapemirim, trecho conhecido com Leopoldina Highway, em homenagem à Maria Leopoldina, primeira imperatriz do Brasil.
O trem parte às 10h30. A 25km/h, a litorina sobe lentamente a serra, e a paisagem da janela muda no mesmo ritmo, de pequenas propriedades rurais para áreas preservadas de Mata Atlâtica. Até a primeira parada, na Estação Ferroviária de Vale da Estação, em Domingos Martins, dois túneis e uma ponte suspensa sob o Rio Jacu são os pontos mais relevantes do trajeto.
Até as próximas duas estações, Marechal Floriano e Araguaya, a paisagem é dominada por plantações de café. O Espírito Santo é um dos principais produtores brasileiros da planta, e o maior do tipo jacu, cuja xícara pequena não sai por menos de R$ 10. Essa variedade é famosa pelo seu processo de produção. Os grãos são ingeridos e processados no intestino do jacu, ave que habita a região. O sabor é macio, leve, nada parecido com os tipos conillon e arábica, mais comuns no mercado.
O passeio de trem tem duas horas e meia de duração, com três paradas de cinco a dez minutos cada. Nas estações, moradores vendem artesanato, doces e bolachas salgadas. Desde 2010, o trecho é operado pela Serra Verde Express, a mesma empresa que faz a linha Curitiba-Morretes.
Vitória tem coleção de praias e morros
Cidade oferece opções de passeio à beira-mar e exploração de mirantes nos arredores
Sotaque carioca, jeito mineiro, geografia florianopo­litana e colonização europeia. O que esperar da capital de um estado batizado de Espírito Santo? Retalhada por rochas e morros e costurada por pontes, Vitória, uma ilha no Atlântico Sul, encanta por sua história, arquitetura, culinária, praias e população.
Relativamente pequeno, com apenas 330 mil habitantes, o arquipélago de Vitória esbanja cartões-postais: praias, pontes, ilhas, ilhotas, portos. Portos, aliás, não faltam: são sete no total. Os maiores e mais importantes são o de Vitória e o de Tubarão.
Fundada em 1551, o que a torna uma das cidades mais antigas do país, Vitória foi a segunda capital da antiga capitania do Espírito Santo. Antes, a sede foi Vila Velha, cidade vizinha e atualmente mais populosa do que a capital.
Em Vitória, as praias mais badalas são Camburi, do Can­to, e a Curva da Jurema, todas com boa infraestrutura de quiosques, iluminação noturna e calçadões para caminhadas, bares, restaurantes e hotéis. Em comum, todas têm como cenário o Morro do Moreno, com 274 metros de altura.
Vila Velha
Basta atravessar a Flo­rentino Avidos, também chamada Cinco Pontes, para se ter acesso aos seis municípios da região metropolitana: Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Vila Velha e Viana.
A mais famosa é Vila Ve­lha, a cinco quilômetros da capital. A cidade vizinha tem praias que os moradores de Vitória gostam de frequentar: a Praia da Costa e de Itaparica, por serem mais calmas e longe dos portos. No alto de um morro coberto de mata, está a imagem mais conhecida do estado, – e um dos mais antigos santuários do país – o Convento da Penha, aberto em 1558.
São vários os mirantes que revelam as melhores faces de Vitória e Vila Velha. Romeiros fazem a peregrinação até a capela, onde estão relíquias como altar, púlpito e via-crúcis entalhados na madeira, e a tela Nossa Senhora das Alegrias, do século 16.
Outras duas atrações da cidade são o Museu da Vale e a fábrica de chocolates Garoto, fundada por um imigrante alemão em 1929, na Prainha, e instalada desde 1936 no bair­ro da Glória.
Na estrada
Rota do Lagarto tem mais recantos para romance na serra
Depois de passear de trem pelas montanhas, os turistas têm duas opções: almoçar em Araguaya e voltar de trem, ou pegar um carro e seguir pela Rota do Lagarto. Na segunda opção, o percurso turístico de Pedra Azul, Domingos Martins, região Sudoeste Serrana do Espírito Santo, é considerado um das mais românticos do Brasil. Fica a uma hora de carro de Araguaya.
No trajeto de oito quilômetros de estrada sinuosa, de mão única, é possível observar laranjais, cultivo de morangos, estâncias, pousadas, simpáticos restaurantes italianos e alemães, exemplares de flor de lótus (aquela que fecha à noite), animais, e claro, a Pedra Azul, um monolito colossal de granito e gnaisse, localizado a 1.822 metros acima do nível do mar. Ela tem esse nome por causa da tonalidade, que muda ao longo do dia. Também é conhecida como Pedra do Lagarto, por ter uma rocha que se parece com o réptil.
A Pedra Azul é parte de uma área de preservação que inclui ainda o pico da Pedra das Flores, a 1.909 metros de altitude. O parque tem área de 1.240 hectares, dos quais apenas 5% são abertos ao público para a realização de trilhas.
Entre as atrações, a mais famosa é a trilha das piscinas naturais, com um percurso de 2.500 metros que inclui um trecho de subida, culminando na área mais alta onde se é permitido chegar. As nove piscinas têm até 1,5 m de profundidade e são liberadas para mergulho.
O jornalista viajou a convite da Serra Verde Express.

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