O cruzeiro MS Hamburg passou pela Islândia até alcançar o primeiro destino na Groenlândia, a cidade de Qaqortoq. Embora fosse verão, poucos passageiros se animam a ficar mais que alguns minutos no convés para apreciar o mar ou constatar que, embora o relógio indicasse duas horas da madrugada, o céu continuava claro como o restante do dia. A experiência serve para sentir a fibra, a coragem e a força de vontade que animaram os vikings do século 10, os primeiros europeus que chegaram à Groenlândia, a maior ilha do mundo, em clima ártico.
A costa leste da ilha tem cerca de 3,5 mil habitantes e, em seus 2,7mil km de extensão, tem apenas dois pequenos núcleos urbanos. Toda a metade norte da Groenlândia é um parque nacional, o maior do mundo. A parte habitável do país fica na estreita faixa na costa oeste, próxima ao Canadá. Todo o restante do território é coberto por uma carapaça de gelo.
Apesar do clima inóspito, a imagem que se faz daquela parte gelada do mundo – lugar de esquimós morando em iglus e rodeados de cães huskys – está restrita aos livros de história. Mesmo o termo ‘esquimós’, que significa “devoradores de carne crua”, ainda que pedaços de fígado de foca cru sejam vendidos no mercado local, não é mais utilizado. Agora, o correto é chamá-los de inuits.
Uma das diversões recomendadas é fazer visitas constantes ao mercado. A toda hora chegam novas levas de mercadoria e, assim, há oportunidade de conhecer o que da fauna marinha local vai parar na cozinha. Salmão é o que não falta. Carne de cetáceos e de foca são constantes.
Nada de iglus. O que se vê são são casas modernas, pintadas com cores vivas, com boa vedação e calefação. Cães e trenós foram substituídos por snowmobiles, aviões e helicópteros. O transporte por tração animal é mantido apenas como hobby de inverno. O relacionamento dos inuits com os cães é bastante diferente da proximidade e convivência a que estamos acostumados. Os cachorros de trenó não são pets, mas animais de trabalho. Não andam livres pelas ruas; são mantidos em currais. Para um trenó são necessários, no mínimo, dez cães.
Na rápida caminhada pelo vilarejo, é possível enxergar a placa com os dizeres Tassuunnaqquunnerit Tamaasa, um exemplo impronunciável de nome de rua.
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