“Princesinha do sul, terra de encantos e magias”, é como Jorge Amado chamava a charmosa Ilhéus, que foi cenário e inspiração para criação de vários dos personagens do escritor baiano, incluindo “Gabriela, cravo e canela”, que ganha as telas em nova versão nesta segunda-feira (18) na Rede Globo.
Localizada a 320 km de Porto Seguro e 472km de Salvador, Ilhéus guarda – na estrutura da cidade e nos pontos turísticos – toda cultura e história que permeiam seus 478 anos.
Um dos lugares mais marcantes da cidade e que melhor representa a história dos Fazendeiros de Cacau do século XIX é o Centro Cultural Bataclan. O lugar era um antigo cabaré frequentado pelos coronéis e, ainda hoje, preserva os cenários do velho bordel.
Visitando o lugar, logo na recepção da casa, o visitante dá de cara com dois atores vestidos de Coronel Ramiro Bastos, que na tevê será vivido por Antônio Fagundes, e a meretriz Agripina, que ganhará vida com a atriz Leona Cavalli. Os personagens presentes na obra do autor baiano representam o modelo social da década de 1920, quando os abastados senhores do cacau iam a bordéis com frequência.
A arquitetura e a decoração fascinantes da casa são uma atração à parte. Entre os lugares mais interessantes está o quarto de Antonia Machadão, cafetina do bordel na época que ficou imortalizada nas obras de Jorge Amado como Maria Machadão. Na segunda versão televisiva, a cafetina entra na telinha com a interpretação de Ivete Sangalo.
No fundo da casa noturna, é possível ver ainda uma passagem secreta que era usada pelos ricos fazendeiros: os coronéis subornavam o padre para que ele estendesse a missa por mais tempo e falavam para suas esposas que iam para o Bar Vesúvio tratar de negócios. Porém, na parte de baixo do bar existia uma passagem secreta que saia direto no Bataclan, onde eles se encontravam com as quengas. A hora de voltar para o bar era sinalizada pelo padre, que tocava o sino em alto e bom som.
A passagem do bar Vesúvio, localizado na Praça Dom Eduardo, foi desativada, mas o lugar tem outros atrativos para ser visitado. A começar pela estátua de Jorge Amado sentado em uma das mesas. Nada mais justo, já que o escritor se inspirou nos proprietários do bar para criar os personagens Gabriela e Nacib, vividos na tevê por Juliana Paes e Humberto Martins.
Escritor
Se a ideia é aproveitar a viagem para saber mais da vida e obra de um dos mais conhecidos escritores baianos, a casa Casa de Cultura Jorge Amado é parada obrigatória. Localizada na praça Dom Eduardo, a casa, que hoje virou ponto turístico, foi onde o escritor passou a infância e parte da adolescência, e também o lugar onde ele escreveu seu primeiro livro: País do Carnaval.
Como uma verdadeira homenagem ao “filho adotivo” (Amado nasceu na vizinha Itabuna), o palacete comprado pelo pai do escritor está intacto, com os mesmos vitrais coloridos portugueses, mármores de carrara e móveis feitos de jacarandá. Como se a estrutura antiga já não fosse o suficiente para se apreciar, lá – com vídeos, objetos pessoais e histórias – a vida do baiano das letras é passada a limpo.
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