Turismo

Manual para curtir Nova York com adolescentes

Bia Moraes
31/10/2013 02:03
Nova York tem de tudo, para todos. Dos passeios turísticos aos programas alternativos, a metrópole oferece atrações para a família inteira – por isso mesmo a grande questão, ao elaborar um roteiro para viajar com adolescentes, é conciliar atividades interessantes para pais e filhos.
Depois de passar 12 dias em NYC nessa situação, dá para garantir que a proeza não só é possível, como muito divertida. A experiência de visitar um destino tão múltiplo foi enriquecedora para todos.
A viagem foi o presente de aniversário de 15 anos de João Vicente e Elisa, nossos filhos gêmeos. Além de proporcionar surpresas e aprendizados, a aventura reforçou laços familiares e despertou o interesse dos adolescentes por assuntos novos em cultura, arte, gastronomia e na convivência com pessoas de diversas partes do mundo.
Desde o início, a ideia era ficar em apartamento alugado. Em uma locação por temporada, gasta-se proporcionalmente menos, por pessoa, com a hospedagem. Pelo valor de uma semana em hotel para quatro pessoas, foi possível ficar quase o dobro do tempo no imóvel alugado.
A modalidade de hospedagem também aproxima o visitante da rotina dos moradores. Essa escolha era parte da proposta de viajar em família. Escolhemos um bairro nada turístico do Brooklyn, onde pudemos fazer compras no mercadinho local e tomar café da manhã no diner da esquina, junto com trabalhadores, mães com crianças e outros frequentadores do lugar.
Diversão prévia
Depois de definir datas e passagens, era hora de buscar o apartamento e resolver questões burocráticas. Enquanto a tarefa era feita pelos adultos, os gêmeos iniciaram a programação da viagem. A diversão começou com as listas do que cada um gostaria de fazer em Nova York. As ideias foram compartilhadas em um grupo fechado no Facebook, abastecido com sugestões de amigos, dicas pinçadas na web, desejos de consumo e ideias birutas.
Eu descobri um festival de cervejas artesanais e selecionei fotos de uma praia no Bronx, parecida com o Piscinão de Ramos, no Rio de Janeiro – opção bizarra que foi vetada. O pai deu ideias de lugares para comprar discos de vinil, além de shows e visitas a museus. Elisa elencou lojas, museus, lugares que queria conhecer e sugestões gastronômicas. “Se vamos para Nova York, temos experimentar todos os tipos de comida”, argumentou. João Vicente foi mais objetivo: ficaria feliz com tudo que fosse relacionado a games e pratos com bacon.
Com o envolvimento de todos, os meses que antecederam o embarque foram ainda mais excitantes. Além de divertida, a troca de mensagens serviu para selecionarmos dicas práticas como tamanho de malas, itens de bagagem, melhores horários e outras instruções. A peneira fina foi feita dias antes da viagem, com a seleção das melhores opções. Da lista inicialmente bagunçada saiu a maior parte do roteiro que cumprimos em Nova York, conciliando gostos e desejos dos quatro viajantes.
Flexibilidade e bom humor ajudam a elaborar roteiros divertidos
Adolescentes que vivem conectados à internet ou passam horas jogando games se interessam por museus e passeios ao ar livre? Sim. A dica é montar a programação misturando passeios que eles gostam com os que os pais curtem, de um jeito equilibrado, que inclua também pausas para descanso e diversão boba (teens fingem que não gostam de coisas de criança mas, no fundo, adoram).
A lista que fizemos antes de viajar foi útil para captar os desejos dos filhos e elaborar um roteiro prévio. Mas boa parte dos passeios foi decidida lá mesmo, a partir das descobertas que fazíamos e das dicas de amigos que visitamos na cidade. Toda noite programávamos o que fazer no dia seguinte, pesquisando endereços e rotas na internet. Elisa anotava tudo em seu precioso caderninho de viagem.
Não pensei que fosse gostar das megalojas da M&M´s ou da Lego, da Forbidden Planet ou da Game Stop, sugeridas pela dupla, mas acabei adorando. Por outro lado, eles curtiram todos os museus que visitamos.
Admirados
O campeão de “oohhs” de admiração foi o Museu de História Natural. Mas todos se embasbacaram com a arquitetura e as exposições do MoMA (Museu de Arte Moderna), do PS1 (vanguarda do MoMA, no Brooklyn), do MAD (Museu de Arte e Design) e do Museu do Brooklyn. Os passeios pelo Jardim Botânico do Brooklyn, pelo Parque High Line e a visita à loja da Apple, em Chelsea, agradaram a todos.
Conhecer o novo parque ao lado da ponte do Brooklyn e a casa onde viveu o escritor Truman Capote não foi tão excitante para os gêmeos. Mas terminar o tour saboreando uma banana split da Brooklyn Ice Cream Factory, para em seguida pegar um barco-táxi do East River Ferry e atravessar o Rio Hudson até Manhattan, com direito a brisa do mar e um visual de cair o queixo, deixou todo mundo feliz.
No quesito “turismo obrigatório”, fomos ao Empire State e passamos mais de uma vez por Times Square, que sempre tira o fôlego pela quantidade de gente, painéis luminosos e anúncios. Preferimos ver a Estátua da Liberdade pelo deck do ferry-boat que liga Manhattan a Staten Island, do que ir até ela. É de graça e dá uma visão incrível do Sul da ilha.
Domingo na praia
Para encerrar com chave de ouro nossos dias em NYC, nada melhor do que um domingo de praia. Ainda mais se for ensolarado, com um parque de diversões junto e com acesso fácil pelo metrô. Assim é Coney Island, um local construído no final do século 19 que já passou por várias transformações. Fica na orla ao sul do Brooklyn, com mar limpo e larga faixa de areia.
Na beira-mar de Coney Island há vestiários novos e bem cuidados, chuveiros de água doce, dezenas de lojas, lanchonetes e restaurantes. O parque tem brinquedos tradicionais, como um trem-fantasma capenga, e novidades, como bungee jump. Com um detalhe: a Wonder Wheels e a Cyclone, respectivamente roda gigante e montanha-russa de Coney, foram construídas na década de 20 e continuam funcionando. Nós tivemos coragem. E não nos arrependemos!
Cardápios variados agradam a todos
Com adolescentes em viagem, alimentação é item importante. Optamos por breakfasts fartos e baratos e almoços rápidos. Jantar era um programa demorado, para curtir as variedades gastronômicas, os adultos experimentarem cervejas e drinques diferentes, batermos papo e, assim, encerrar o dia em alto estilo.
No quesito diners – aquelas lanchonetes que a gente vê em filmes – nosso eleito era o tradicional Kellog’s. Além de ser um porto seguro nos momentos de dúvida (“onde e o quê comer a essa hora”), por funcionar 24 horas, ele tem um cardápio imenso, que agrada todo mundo, e excelente localização no Brooklyn. Ali eu matava o desejo por panquecas com syrup e café aguado, enquanto João Vicente traçava imensos hambúrgueres com bacon.
Outra aposta sem erro são as lojas da rede Starbucks. A gente topa com uma a todo momento em Manhattan. É ideal para uma pausa entre passeios e compras, tomar um café ou refresco, comer algo rapidamente sem gastar muito e – muito importante – usar o banheiro e o wi-fi gratuito.
Para não se perder da família, comunicação é essencial. Usamos os celulares para trocar mensagens pelo aplicativo What´s App e, dessa forma, nunca precisamos fazer ligações. Basta procurar os locais com wi-fi livre, que em NYC são muitos, inclusive em parques e museus.
Bia Moraes é jornalista e editora do caderno de Imóveis da Gazeta do Povo.

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