Turismo

Maravilha arquitetônica dos Incas não decepciona visitantes

Annalice Del Vecchio
06/08/2009 03:05
Esqueça tudo isso. Quando, enfim, se chega ao primeiro mirante, a sensação é de ver algo inédito. Neste momento, é possível imaginar o impacto do professor norte-americano Hiram Bingham ao se deparar, em 1911, com a “cidade perdida”, em uma viagem exploratória feita com outra finalidade: encontrar a lendária capital dos descendentes dos incas, Vilcabamba, baluarte da resistência contra os espanhóis.
Mesmo cético, ele subiu ao cume, guiado por um menino de oito anos que residia com a família na região, e encontrou imponentes construções de pedra cobertas de mato e infestadas de víboras, em evidente estado de abandono. Deu ao local o nome de “velha montanha” – Machu Picchu (com dois “c”), em quêchua.
Os incas construíram a cidade no século 15, a partir de um projeto arquitetônico e pesquisas dos agrimensores para verificar as condições geológicas do local. Mesmo sabendo que a montanha estava localizada entre duas falhas geológicas, decidiram instalá-la ali – um local alto e, portanto, mais energético espiritualmente.
Os moradores de Machu Picchu não passavam de 300 por vez e, a grande maioria deles eram jovens que iam até lá para se especializar em profissões diversas. Os rapazes tornavam-se astrônomos, geólogos, engenheiros; as moças eram instruídas paras as atividades de profetisas, sacerdotisas e professoras.
A área, a 2.432 metros acima do nível do mar, está dividida em dois grandes canteiros: o agrícola é formado por terraços e silos, onde se armazenavam milho e batata; e o urbano, onde ficavam templos, praças, observatórios e residências.
Com o avanço da conquista espanhola, o local foi abandonado pelos incas ainda inacabado, mas passou quatro séculos sem ser descoberto. Hoje, a cidade considerada uma das novas sete maravilhas do mundo, sofre uma nova ameaça. O excesso de visitantes, que somam 3 mil por dia na alta temporada (entre julho e agosto), é a principal causa da rápida deterioração do local. As autoridades peruanas estudam medidas para restringir a visitação, sem prejudicar o turismo.