Turismo

Metrópole surreal

Agência RBS
23/02/2014 03:18
Paraíso do Hemisfério Norte e refúgio dos latino-americanos no verão, o México não é apenas praia e rivieras badaladas. Eleger o outono como estação e a Cidade do México como destino pode surpreender por vários motivos: temperatura amena, noites frescas e muita gente na rua. Com ma is de 140 museus e uma história fascinante, marcada de conflitos, lendas e folclore, a capital, Cidade do México, tem festas o ano inteiro. A mais importante acontece entre o verão e o inverno: o Dia dos Mortos.
Entre os dias 28 de outubro e 2 de novembro, o hospitaleiro povo de uma das maiores metrópoles do mundo (Cidade do México tem 9 milhões de habitantes) comove-se com uma festa mágica. Nesse período, o país inteiro conclama um clima alegre e festivo para celebrar os mortos. A atmosfera que invade de forma lúdica as praças repletas de casarões da era colonial é de farra, em memória daqueles que já partiram.
As riquíssimas culturas olmeca, asteca e maia norteiam o alicerce das cidades mexicanas e o curioso roteiro de Guanajuato – estado onde ficam Cidade do México, San Miguel de Allende e León –, que ganham em todo canto uma decoração inspiradíssima na celebração da morte para turista ver e entender. São altares com alimentos, em geral frutas, sal, água, doces, e as onipresentes Catrinas, esqueletos e caveiras pintados em multicores e propostas artísticas. As flores oficiais da estação são as cempazuchitl, que decoram restaurantes, hotéis, cafeterias, praças e igrejas nessa expressão popular reconhecida pela Unesco como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, como são para os brasileiros o carnaval e as festas juninas. Para participar, adquira o delicioso Pão de Los Muertos numa das muitas confeitarias, crie um figurino de assustar, pinte o rosto de branco com uma make de caveira e vá para as ruas, praças, bares e até cemitérios. Por todos os recantos estarão famílias inteiras divertindo-se.
Na Cidade do México, há também roteiros cults imperdíveis, como o museu de Frida Kahlo, a artista plástica mais importante da cultura ibero-americana. Ela é o ícone que representa a mulher guerreira, dona de uma personalidade que se reflete em sua obra reconhecida em todo o mundo, assim como a de seu mentor e marido, Diego Rivera, muralista respeitado pelo povo mexicano. Vá também ao encontro da obra de David Alfaro Siqueiros, que tem suas criações revisitadas no Poliforum Cultural Siqueiros.
Ainda na capital mexicana, um dos principais endereços onde há o maior acervo as obras de Frida e Diego é a antiga mansão da modelo Dolores Olmedo, que deixou um dos legados culturais dos mais representativos artistas plásticos da década de 1920, não apenas do México, mas também da França, Espanha e Inglaterra. Hoje, o endereço de Dolores é um museu aberto a visitações que abriga exposições dos principais nomes das artes mundiais. Depois da imersão cultural, vale uma incursão noturna pela Plaza Garibaldi, onde se concentra o maior número de mariachis por centímetro quadrado, que se apresentam nos clubes mais tradicionais e até mesmo na própria praça, cantando e encantando. Aproveite para apreciar por lá os drinks oficiais do país, a tequila e a marguerita, e dançar ao som dos ritmos tradicionais daquela terra.
Direto do além
As comemorações realizadas na semana que antecede o Dia dos Mortos servem de passagem para as almas voltarem à terra, acreditam os mexicanos. Por isso, altares são erguidos e decorados com a cempazuchitl (flor na cor laranja que conhecemos como cravo de defunto), velas, alimentos, água e sal, fotos dos falecidos e caveiras, estas decoradas com inspiração na profissão e nos hobbies do morto homenageado. Há uma criteriosa harmonia em todos os detalhes e encantam em criatividade.
Em meio às “oferendas” aparecem também o Pão de Los Muertos, chocolates e frutas como o garambuyo – extraída do cactos e que produz um suco delicioso na cor roxa.
Mesmo na vibração da festa, uma rica celebração que nos remete ao carnaval de Veneza e ao Halloween, numa procissão alegre com fantasias e performances que tomam as avenidas e praças com gente bonita numa manifestação contagiante.

Galeria