Turismo

Morador e turista fazem fila para agitar em morro no Rio

Agência O Globo
13/06/2013 03:04
Uma das pioneiras é a Pôr do Santa, que lota a Laje do Michael Jackson, no Santa Marta. O som de clássicos como Canto de Ossanha faz cerca de 400 pessoas sambarem no alto do morro. O evento, que acontece todo primeiro sábado do mês, surgiu despretensiosamente há pouco mais de dois anos, quando o guia de turismo Gilson Fumaça juntou amigos para comemorar o aniversário de 33 anos. Com cerveja, feijoada e samba, virou sucesso e entrou para o calendário de festas na favela de Botafogo — a primeira a receber uma UPP, em 2008. “É um programa diferente, que soma a experiência da comunidade e seu movimento cultural, com um bonito visual e bom som”, comentava a paulistana Janaína Venezian, presente em uma das últimas edições.
No Vidigal, acostumado com a movimentação de estrangeiros e cariocas de outros lugares mesmo antes da pacificação, o vaivém tem aumentado e ajudado a badalar ainda mais festas como as do Alto Vidigal ou da Oficina do Jô.
Churrascos, happy-hours e festas na laje também transformaram o Vidigalbergue Rio Hostel em outro point da comunidade. Misturam um número crescente de turistas que decidem se hospedar no morro com gente de todas as partes do Rio. “Há dias com até três eventos diferentes. Aqui no hostel, o público é bem misturado, de hóspedes, moradores, a galera da Zona Sul… Todos deslumbrados com um visual que os faz se sentirem debruçados sobre o mar”, afirma Luis Selva, sócio do Vidigalbergue.
Com o intuito de estimular essa vocação à festa, recentemente o agitador cultural Wanderley Gomes acrescentou um novo som à babel de ritmos do Vidigal. Aos sábados, a cada 15 dias, ele instituiu o baile charme na praça da comunidade. E, desde o primeiro, tem visto os efeitos de uma cidade que passou a se frequentar mais: o DJ é morador do Cantagalo, e o público vem da Rocinha ao Alto Leblon.
A black music é o som de outro evento que tem agitado o pacificado Morro dos Prazeres, em Santa Teresa: o Black Santa, que acontece uma vez por mês, aos domingos, e surgiu de uma comemoração de aniversário. E já na sétima edição, segundo os organizadores, mistura charmeiros e amantes do hip hop, não só da favela, mas da Baixada Fluminense, Madureira e Lapa, além de turistas.