Um país muito distante, onde o frio impera e onde, de vez em quando, alguns meteoros caem. Ainda que não sejam falsas, as impressões sobre a Rússia não resumem, nem de longe, o que o país tem a oferecer aos turistas. Basta pisar em Moscou para deixar de lado alguns ‘pré-conceitos’ e se perguntar por que os brasileiros não descobriram essa nação gigante, que divide seu território entre a Europa e a Ásia, como destino turístico.
Moscou tem uma população maior do que o estado do Paraná inteiro: quase 12 milhões de habitantes, contra os 10 milhões de paranaenses. E o cenário local está longe daquele retrato russo exposto nos livros de História em escolas brasileiras, baseado nos acontecimentos da Guerra Fria (1945-1989). A Rússia mudou, e Moscou também. Homens e mulheres bem vestidos circulam pelas ruas e avenidas em carros do ano, e a cidade tem monumentos suntuosos. O mais marxista dos visitantes fica espantado depois de uma rápida observação nas opções de fast food: McDonalds, Burguer King, Subway, Wendy’s e KFC estão presentes e seduzem consumidores, em pleno exercício capitalista.
Apesar de o liberalismo econômico ter aberto as portas da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) nos anos 1980 e 1990, há ainda uma pitada de orgulho que lembra os tempos de disputa acirrada com os Estados Unidos pela hegemonia mundial. Poucos são os russos que falam inglês – e, deste seleto grupo, a maioria é jovem, nascida justamente após o processo de reabertura do país.
Essa realidade, porém, deve mudar em poucos anos, para alegria dos viajantes. O país, hoje governado por Vladimir Putin, será o anfitrião da Copa do Mundo em 2018, uma das apostas do governo local para incrementar o mercado de turismo.
Música e comida típica divertem russos e turistas
A vida social de Moscou é repleta de opções para comer e para se divertir. Além da rede abastada de fast food, há restaurantes por todos os cantos, além de bares e boates para os mais variados públicos. Ambientes esfumaçados fazem parte do roteiro: o cigarro é permitido em todos os lugares.
Boa parte da culinária internacional está presente em Moscou, com oferta de cozinha italiana, árabe e japonesa. Os russos ainda não descobriram os atrativos da cozinha brasileira. Portanto, o viajante precisa se aventurar também pela gastronomia. A começar pelo menu: os cardápios não foram pensados para quem não fala russo.
Os pratos típicos russos vão desde sopas com condimentos locais até os blinchikis, crepes recheados com frutas e cremes, que valem a garfada. Com 600 rublos (R$ 40), é possível comer bem.
Balada
Os bares e as boates são animados. Neles, o turista verá gente bonita e, geralmente, bem vestida, às vezes um tanto quanto fashionista, o que mostra que os russos estão antenados ao mundo da moda. Homens usam bolsas com design feminino e é comum se preocuparem com grifes famosas. É normal vê-los com modelos da Louis Vitton, Prada ou Giorgio Armani. O visual despojado chega aos pés: chinelos de borracha são comuns nas festas.
A média da entrada nas boates é de 500 rublos (R$ 35). Algumas oferecem um drinque de cortesia. Vai ser inevitável experimentar a vodka russa, pura ou misturada com suco, refrigerante ou energético. Notas de baixo valor e moedas nos bolsos vão agilizar o atendimento no bar, que exige o pagamento a cada bebida.
Os russos gostam da música local e isso vai muito além da dupla feminina de voz estridente t.A.T.u., que fez sucesso no início dos anos 2000. O repertório atualizado vai ser tocado até metade da noite, com grande aceitação do público e coro garantido. No restante, será exibido aquilo que está nas listas da Billboard, como Lady Gaga, Madonna, Rihanna e afins. Mas a playlist internacional não contempla a música brasileira. Nem mesmo Michel Teló e o seu Ai, Se Eu Te Pego chegaram por lá.
Praça Vermelha é o ponto de partida da aventura
Os pontos turísticos de Moscou são tão monumentais quanto os de grande destaque em destinos populares do mundo ocidental: a Torre Eiffel, em Paris; o Portão de Bradenburgo, em Berlim; ou o Palácio de Schönbrunn, em Viena. A Praça Vermelha reúne o onipotente Kremlin, sede do governo russo, entre outras várias atrações turísticas, além da Catedral de São Basílio, aquela que, de tão colorida, parece feita de marshmallow.
O Kremlin (em russo, fortaleza) abriga o governo presidencial russo, mas tem mais de 20 torres, entre igrejas, palácios e museus. O viajante pode escolher o que vai visitar e pagar por cada roteiro, separadamente. As Catedrais do Kremlin custam 350 rublos (em torno de R$ 25) por pessoa. Se forem incluídos os museus, o valor passa de 600 rublos (R$ 40).
As Catedrais do Kremlin têm cúpulas douradas ou de prata, onde estão corpos de czares e de outras autoridades russas; obras de arte sacras – normalmente pinturas em tela ou nas próprias paredes – e objetos de valor. Mapas de visitação, distribuídos gratuitamente na entrada de cada recinto, ajudam a orientar a visita.
Na Catedral do Arcanjo está a tumba do primeiro czar russo, Ivan IV, o Terrível, que assumiu o poder em 1547. Ele ficou conhecido por realizar reformas administrativas, jurídicas e militares. Governou a Rússia com mão de ferro, a ponto de matar o próprio filho, Ivan Ivanovich, depois de agredir a nora, que estava grávida e perdeu a criança.
A Catedral de São Basílio atrai gente do mundo inteiro para admirar seus contrastes. Colorida por fora, é sóbria na parte interna, com paredes repletas de imagens sacras, adornos em ouro e escadas estreitas de madeira. Do andar mais alto, a vista de Moscou é ampla: é possível ver parte da Praça Vermelha e, ao fundo, os prédios na linha do horizonte.
Ainda na Praça Vermelha, a exposição do corpo embalsamado de Vladimir Ilitch Lênin (1870-1924), um dos idealizadores da Revolução Russa no início do século 20, é um dos principais atrativos locais. Após revistas e detectores de metais, os visitantes entram no mausoléu, que impressiona pelas portas reforçadas. Em fila indiana, passam pelo caixão de vidro, fortemente vigiado. Ninguém pode parar para contemplar o pensador. Fotografias são terminantemente proibidas. Um postal do local pode servir de consolo.
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