Turismo

Muito mais que amor em SP

Gabriel Azevedo
19/01/2014 02:18
Verão, férias e ondas recordes de calor. Sugerir um destino sem mar é quase uma heresia, se não estivéssemos falando da cidade que não dorme. Localizada a 400 quilômetros de Curitiba (apenas 100 km a mais que Florianópolis), São Paulo tem um lado doce, encantador e (por incrível que pareça) barato, principalmente nesta época do ano, quando, assim como os curitibanos, os paulistanos migram em peso para o litoral nos finais de semana. Sem movimento, os preços das diárias nos hotéis e passagens aéreas caem consideravelmente.
Se durante o outono, o inverno e a primavera, a cidade de concreto e aço, rasgada por viadutos e túneis, é um corre-corre frenético, nos três meses da estação mais quente do ano o centro financeiro do país se transforma num destino prazeroso com milhares de opções de diversão. Para se ter uma ideia, visitando um lugar por dia, um ano não seria suficiente para conhecer tudo que há na cidade, afinal são 125 museus, 39 centros culturais, 164 teatros, 53 shopping centers e centenas de galerias, parques, cinemas, feiras de arte e artesanato.
Ou seja, ver tudo, tudo mesmo, vai ser impossível, mas em 48 horas dá para desfrutar de boa parte do que a cidade oferece. Conheça o melhor de Sampa:
Sexta-feira
São Paulo é a capital dos negócios e dos eventos da América Latina. O que muitos esquecem é que a cidade é também o maior centro de entretenimento do hemisfério Sul. Para começar a noite com estilo a boa é um giro pela Paulista e redondezas. Se durante o dia a avenida é o centro nervoso de negócios da capital, à noite é uma excelente opção de passeio e um ponto de referência para jantar nos melhores restaurantes do mundo, localizados ao redor.
O D.O.M., do celebrado chef Alex Atala, eleito pela revista “Restaurant” como o sexto melhor restaurante do mundo, está a 20 minutos (caminhando) da Paulista. No trajeto, a badalada Rua Oscar Freire reúne lojas das grifes mais famosas do planeta.
Se a ideia for gastar menos de R$ 100, o Spot, na Al. Ministro Rocha Azevedo, serve pratos elaborados a preços acessíveis. Na Paulista, não deixe apreciar a beleza da sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e o Masp, marcos da arquitetura moderna paulistana.
A Augusta é a melhor rua para encerrar uma sexta-feira. Conhecida pela variedade de bares e baladas, ela reúne todas as tribos do universo, com casas para todo tipo de ouvido: do rock à música eletrônica. Dica: Beco 203, misto de balada e casa de shows.
Sábado
Comece o fim de semana com um tour pelo centro e o café da manhã no Mercadão. Inaugurado em 1933, o Mercado Municipal, localizado entre a Rua 25 de Março e o Parque D. Pedro II, abre às 5h. Ao todo, são 12 mil metros quadrados de barracas com frutas, doces, lanches, e, outras guloseimas, para serem explorados, è claro, consumidos.
Para queimar as calorias adquiridas, a dica é seguir a pé para o Pateo do Collegio, onde São Paulo foi fundada. Lá existe um pequeno museu. A caminhada não dura mais de 15 minutos. Perto dali, o Marco Zero de São Paulo: a Praça da Sé, a Catedral da Sé, o Mosteiro de São Bento, o prédio da Bovespa e dois dos mais famosos edifícios da cidade: Martinelli, primeiro arranha-céu de São Paulo, e o Banespão, um dos mais altos prédios da capital. Inaugurado em 1965 o segundo maior prédio da capital paulista, o Edifício Itália, com 165 metros de altura, 46 andares e 19 elevadores, é uma opção para um skyline incrível. No prédio funcionam escritórios, um teatro, uma galeria e um restaurante na cobertura, o caríssimo Terraço Itália, que se tornou um dos símbolos de São Paulo. Para subir é preciso desembolsar R$ 15. O deck fica aberto das 12h à 0h, todos os dias.
Ainda na região, a pé, ou de metrô, o turista visita e conhece, numa tacada só, a Estação da Luz, o Museu da Língua Portuguesa, a Pinacoteca do Estado, o Viaduto do Chá, o Vale do Anhangabaú e o Theatro Municipal. Antes de anoitecer, corra para Feira da Praça Benedito Calixto, recheada de itens de decoração, antiguidades, bijuterias e até roupas de bebês descoladas. Detalhe: estilistas alternativos vendem peças de roupas bacanas.
O jantar e a noite de sábado têm endereço ali perto: Vila Madalena. Aos sábados, o Pub Crawl – tour por bares e baladas da região pagando um preço único – é uma boa. Além da entrada livre, o passeio dá direito à uma hora de passeio com cerveja liberada. O serviço custa de R$ 50 (com reserva) a R$ 60. Mais informações sobre o serviço podem ser obtidas no site www.pubcrawlsp.com.
Domingo
O desjejum do domingão pode ser em uma padaria-boutique: Bella Paulista, na Rua Haddock Lobo, próximo à Av. Paulista; a Galeria dos Pães, na Rua Estados Unidos, nos Jardins; ou a Villa Grano, na Vila Madalena. Todas 24 horas. De lá, Avenida Paulista. De preferência para o Museu de Arte de São Paulo, o Masp. Inaugurado em 1968, o museu abriga 8 mil peças. É o acervo de arte ocidental mais significativo da América Latina, neles, Van Gogh, Matisse, Portinari, Di Cavalcanti e Diego Rivera. O Masp abre de terça a domingo, das 10h às 18h. O ingresso custa R$ 15. O almoço é na Liberdade, a Chinatown brasileira. No bairro, feira, restaurantes e lojas de influência japonesa, chinesa e coreana.
O fim da visita é num dos cartões postais mais famosos da cidade: o Ibirapuera. Inaugurado em 1954, o parque Ibirapuera é o mais conhecido de São Paulo. Elaborado por cinco arquitetos, entre eles Oscar Niemeyer, conta com pistas de corrida, Parques infantis, quadras poliesportivas. Aos domingos, o espaço é lotado por ciclistas que aproveitam o trajeto das ciclofaixas. Funciona diariamente das 5h às 0h.
Beco do Batman na Vila Madalena é uma galeria a céu aberto. Localizado na Rua Gonçalo Afonso, o Beco do Batman é uma pequena viela no fundo do Cemitério São Paulo. Com paredes inteiramente dedicadas ao grafite, sua história remonta à década de 80, quando um desenho do homem-morcego apareceu naquele canto do bairro. Em três décadas, a viela escondida passou a servir de cenário para fotos de publicidade, festas e passeios turísticos. Quem visita acaba voltando porque, no muro, as cores sempre se renovam e os grafites também.
O repórter viajou a convite da Rede Bourbon de Hotéis e Resorts.

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