Na Flórida, a brincadeira é comum. “Acho que os únicos que nasceram aqui são os meus três filhos”, conta, rindo, o motorista da van, um forasteiro nova-iorquino na parte mais latina dos Estados Unidos.
Principal destino de turismo dos americanos, especialmente aposentados que buscam tranquilidade – vários acabam fixando residência por lá –, o estado de clima tropical e praias de água transparente também tem forte apelo entre viajantes brasileiros. “Têm muitos aqui mesmo”, confirma o chofer, arriscando algumas palavras em português, dizendo um “obrigado” logo depois de deixar mais alguns no olho do furacão do turismo dos EUA, superando, inclusive, Nova York no topo do ranking.
Orlando, cidade onde ficam o Walt Disney World Resort e os mais famosos parques temáticos do mundo, é o grande chamariz. A badalada Miami, quente e multicultural, vem logo atrás na preferência dos brasileiros. No ano passado, foram 1,5 milhão de turistas brazucas circulando na Flórida.
A combinação Mickey Mouse, diversão e compras é o que mais atrai os brasileiros às duas cidades. Tanto que o espanhol, segunda língua de nove entre dez moradores locais, está perdendo espaço para o português. Pelo menos nos dois habitats naturais dos brasileiros – os parques e os shoppings – é impossível não esbarrar em um turista compatriota, em especial nos períodos de alta temporada. “Brasileiro?”, é a pergunta mais ouvida nos corredores dos outlets.
Opções variadas
A viagem pode começar a partir de Miami ou Orlando. O mais recomendado para o deslocamento de 380 km entre as duas cidades é alugar um carro. Em um dia de tráfego normal, são três horas e meia de viagem, em rodovias bem sinalizadas. Mesmo assim, o GPS é uma ferramenta indispensável.
Em Orlando, além dos quatro parques com assinatura Disney (Magic Kingdom, Epcot Center, Animal Kingdom e Hollywood Studios), também estão o Universal Studios e o Sea World, ambos voltados para um público mais velho.
A uma hora e meia de viagem, em Tampa, fica o Busch Gardens e suas montanhasrussas radicais. Ainda na região de Orlando, o Kennedy Space Center é outra dica legal de excursão.
Para quem prefere as compras, o Premium Outlets é parada obrigatória. Os preços são convidativos e é difícil não sair com diversas sacolas de roupas.
Outra cidade
Miami também é um lugar indicado para a prática de passar cartões de débito. Os principais shoppings são o Dolphin Mall e o Sawgrass Mills. O calçadão da Lincoln Road, em South Beach, é uma opção mais casual para passar a tarde, com restaurantes e galerias de arte à dezenas de lojinhas de produtos eletrônicos.
O Bayside Marketplace une o passeio à bela vista oceânica de Miami, com seus milhares de iates. O Bal Harbour Shops, por outro lado, é o destino de quem procura marcas de luxo.
Mas Miami não se resume à saudável e sexy South Beach e à noite da icônica avenida Ocean Drive, com seus hotéis em art deco.
O Seaquarium e a Jungle Island são indicações para um contato maior com a natureza. Outra opção é o Everglades National Park, para um passeio de airboat – aquele bote com um motor parecido com um ventilador gigante – para ver de perto os famosos crocodilos da Flórida.
Outra alternativa de programa de natureza é conhecer a praia. Vale reservar um dia para caminhar pela areia branca e relaxar diante do mar azul-turquesa e o sol de Miami. Programa que, certamente, outros brasileiros farão cedo ou tarde.
Guia leva visitantes aos bastidores da Disney
Não é nada barato, mas vale cada centavo. A experiência de andar pelos parques do Disney World com um guia particular dá outra dimensão ao passeio.
Primeiro, o mais importante: fugir das filas. Com o serviço, grupos de até dez pessoas utilizam a entrada especial das atrações, o chamado Fastpass, com o benefício de não precisar marcar horário. Assim, o maior tempo de espera gira em torno de 15 minutos, enquanto filas normais podem passar facilmente de duas horas em determinados brinquedos.
Outra vantagem é o amplo conhecimento do guia sobre os parques. Ele faz os caminhos mais curtos de um local ao outro, recomenda as atrações mais legais e até indica como fazer mais pontos no brinquedo interativo Toy Story Mania, do Hollywood Studios, um dos mais requisitados.
Com um valor a mais pelo transporte, é possível visitar mais de um parque no mesmo dia, otimizando o tempo em caso de uma visita mais curta. A entrada é pelos bastidores – o que pode ser uma atração à parte – e o passeio sai a partir de pontos estratégicos, mais perto dos interesses dos visitantes, por exemplo.
O custo do VIP Tour é de US$ 340/hora, com o mínimo de seis horas contínuas, para grupos de até dez pessoas. Há preços especiais para quem se hospeda em resorts da Disney. O transporte é cobrado à parte. Para saber mais, acesse disneyworld.disney.go.com/events-tours/vip-tour-services.
Taxistas haitianos são animados e cordiais
A cultura latina é bastante presente em Miami. O coração da cidade são os hispânicos, descendentes de cubanos, dominicanos, mexicanos, porto-riquenhos… Mas há outro povo cuja comunidade também é grande na Cidade Mágica: os haitianos.
Para fugir do país mais pobre das Américas, muitos jovens vão para os Estados Unidos tentar a vida, deixando toda a família na ilha colonizada pelos franceses. Vários deles se tornam motoristas de táxi, condição fácil de ser confirmada ao entrar no carro: primeiro, pelo o sotaque forte, depois, quando o turista revela ser brasileiro.
A reação é sempre a mesma. “Brasiiiiiiiiiiil! Ronaldinho, Ronaldo, Romário…”, exclamam, citando no menor tempo possível o maior número de jogadores que conhecem. A maioria sabe do Brasil e tem admiração pelo país por causa do futebol.
Um dos motoristas garantiu que, durante a Copa do Mundo, o Haiti para e torce para a seleção brasileira como se fosse a própria equipe nacional. Pode até ser conversa de taxista, mas com certeza o futebol vai ajudar a ter uma espécie de tratamento vip no caso de turistas brasileiros.
O jornalista viajou a convite da Gol Linhas Aéreas.
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