Turismo

Os templos do Camboja

Renan Tavares, especial para a Gazeta do Povo*
24/12/2015 08:00
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Ruínas dos templos cambojanos revelam relíquias e traços da história do Império Khmer. Foto: Reprodução

Ainda pouco conhecido por brasileiros, especialmente por aqueles que não têm algum tipo de ligação econômica ou religiosa com o país, o Camboja tem sido um destino com crescente procura por turistas interessados em culturas distantes da nossa. Acessado por voos que duram pouco mais de 27 horas do Brasil, e tendo como fronteira a leste o Vietnã, a norte o Laos e a oeste a Tailândia, o país asiático possui uma riqueza de templos que encantam, além de ser um destino relativamente barato e com uma grande oferta de resorts e hotéis de luxo.
A entrada para o antigo Império Khmer, principal atrativo no país, é a cidade de Siem Reap, ao norte do Camboja. Acolhedora e segura, nela é possível sair à noite com tranquilidade para jantar ou conhecer o pequeno centro. Na manhã seguinte, a experiência começa imediatamente após deixar o hotel, com o deslocamento. O transporte oficial e mais comum por lá é o tuk-tuk, uma espécie de moto que puxa uma cabine que comporta até quatro pessoas.
São aproximadamente sete quilômetros até o portal do Reino de Angkor, construído pelo Império Khmer entre os séculos 9 e 15. Trata-se de um complexo com cerca de mil quilômetros quadrados e mais de mil templos de diversos tamanhos e importâncias. Sendo um patrimônio cultural da humanidade declarado pela Unesco, é um destino em permanente restauração e manutenção. Dessa forma, não se espante em ver operários nas construções, monumentos e estátuas. Os templos de Angkor Wat (Templo da Capital), Angkor Thom (Grande Capital) e Bayon devem ser visitados.
Inicialmente, este complexo foi dominado por hindus e depois foi assumido por budistas – hoje o maior grupo religioso do país, responsável por manter as ruínas. Dessa forma, é possível ver menções e relíquias de ambas as religiões. Por serem crenças que se fundem em alguns aspectos, a riqueza de detalhes e a importância de cada símbolo presente nos diversos templos pode passar despercebida para quem não é profundo conhecedor delas. Por isso, vale uma maior atenção.
O templo de Bayon está localizado no centro de Angkor. Alguns filmes foram gravados lá, dentre eles Tomb Raider. Em frente à construção, é possível contratar um inesquecível passeio de elefante que o levará para uma volta por toda a construção. A imagem dos elefantes, ornamentados e com seus guias, e ao fundo o belo templo é, sem dúvidas, um dos mais bonitos cenários do país. Outro ponto para visitar são as ruínas do Templo do Elefante, local utilizado na antiguidade para banhá-los e montá-los.
Outra construção conhecida é a do Rei Leproso. Embora o local não seja dos mais impactantes visualmente, traz uma história mitológica de uma briga familiar que gerou a doença (lepra) ao rei da época. Após esta visita, o passeio continua para conhecer os famosos Artesãos D’Angkor, reconhecidos pela qualidade, precisão e beleza de seus artesanatos, onde você certamente deixará alguns Rieis Cambojanos em lembranças da viagem. A qualidade das peças acompanha o preço, mas é algo que não pode faltar às suas recordações do passeio. Desde quadros, miniestatuetas, tecidos e roupas, tudo pode ser encontrado por lá. É possível, inclusive, ver os artesãos trabalhando na peça que, em seguida, será vendida.
É interessante reservar um dia inteiro para visitar o templo mais famoso e fotografado do país: Angkor Wat. Dê preferência à entrada principal, apesar de ser possível entrar pelos portões laterais e posteriores. E não se espante ao ser acompanhado por simpáticos macaquinhos locais. Eles são inofensivos, embora, claro, seja importante ter atenção a seus pertences. A riqueza de detalhes e formas esculpidas nas pedras, paredes e muros é algo que impressiona. Antigamente, os lagos e fossos eram criados propositalmente como uma forma de defesa, além de esteticamente embelezarem os espaços. Para os mais transcedentais, é possível sentir uma enorme energia dentro dos templos, além, é claro, de se encantar com as belezas fora deles.
A pouco mais de uma hora de carro de Siem Reap, é possível conhecer uma cidade inteira flutuante: Chong Khneas. Há escolas, hospitais, mercados, templos e principalmente residências – todos eles sobre as águas. A comunidade sobrevive basicamente do que consegue extrair do rio e dos vegetais presentes nos encharcos. O comércio é bastante limitado, restrito àqueles que vão até a cidade buscar mantimentos para revendê-los. Especiarias como óleo de cobra, com poderes afrodisíacos, segundo os locais, são algumas das opções deste povoado com tantas restrições.
Diversão noturna
A maioria dos resorts cinco estrelas possuem shows tradicionais, com belas dançarinas em trajes típicos – nos dias de semana, então, é possível vê-los quase todos os dias. Pela noite, a recomendação é seguir pela Pub Street, rua mais movimentada da cidade onde existem diversas casas noturnas e bares. A noite é bastante agitada, em especial com estrangeiros de todos os cantos do mundo, porém, não termina ao amanhecer, como a brasileira, já que as principais casas fecham por volta das 2 ou 3 horas da manhã.
Renan Tavares é profissional da agência Kagaroo Tours Sul.