O charme do centrinho histórico da Lapa, a 70 km de Curitiba, é uma referência comum à cidade. “A Lapa é tão bonitinha! Tudo arrumadinho, certinho. Parece um cenário de filme de época”, são comentários de quem tem a oportunidade de passar pelo antigo caminho dos tropeiros. Realmente, a Lapa é uma graça. O conjunto de casarões, tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual, pode ser o ponto de partida de uma viagem pelo tempo, que começa no século 18, com o tropeirismo, movimento do comércio de gado entre Viamão, no Rio Grande do Sul e Sorocaba, no interior de São Paulo. Depois de subir a serra, era na região da Lapa que as caravanas paravam para descansar, antes de seguir viagem.
Ao longo do caminho, hoje batizado de Av. dos Tropeiros, foi estabelecido o primeiro núcleo urbano lapeano. Hospedarias, comércio de secos e molhados, selarias e outros estabelecimentos davam suporte à atividade que colocou a cidade no mapa. Os moradores têm muito orgulho dessa e de outras passagens históricas da cidade. E fazem questão de replicar essa herança, transformada em produto turístico local.
Como não poderia deixar de ser, o tropeirismo está no roteiro dos visitantes. Criado para manter a memória viva entre os estudantes locais, o projeto Aprendiz de Tropeiro, oferecido no Hotel Tropeiro da Lapa, recebe crianças a partir de 6 anos de idade para um dia de atividades típicas. A imersão histórica é feita de forma divertida, com a reprodução da rotina tropeira em uma vila construída especialmente para o passeio. Acima de 12 anos, as crianças ainda podem montar a cavalo e percorrer a vilinha, instalada na área do hotel. Um passeio guiado pelo centro histórico e o almoço típico completam o roteiro. “Eles revivem rotinas comuns aos viajantes da época e aprendem mais sobre uma parte importante da história do Paraná e do país”, conta o historiador Márcio Assad. O tour termina com um café com mistura, em que o visitante prova uma das iguarias culinárias locais, a coxinha de farofa. O petisco foi criado durante uma edição da Festa de São Benedito, em que a cozinheira precisou improvisar para não deixar faltar comida. Usando as sobras de massa de pastel e farofa de frango desfiado, ela montou a coxinha que hoje faz parte do menu dos cafés lapeanos.
A jornalista viajou a convite da Cooperativa Paranaense de Turismo.
Guerreiros às margens do Iguaçu
O Rio Iguaçu e os trilhos da ferrovia são elementos físicos da divisão de duas cidades, uma no Paraná e outra em Santa Catarina, que hoje trabalham para unir esforços e contar o passado de luta, guerras e glórias com mais de 400 anos de história. União da Vitória, do lado paranaense, e Porto União, em Santa Catarina, foram cenários de importantes disputas de terras: primeiro, na colonização portuguesa, na demarcação de território viabilizada pela navegação do rio. Depois, na Guerra do Contestado e a divisão da área entre os estados vizinhos.
O relevo acidentado garante um rico patrimônio natural, formado pelo leito do rio e dezenas de cachoeiras, que podem ser visitadas nos recantos ao longo das estradas rurais do município. É por esse caminho, a 30 km do centro da cidade, que o visitante chega ao Parque Histórico do Iguassú. A área particular com 16 alqueires oferece o resgate histórico, cultural, econômico e gastronômico da região.
O parque é resultado da dedicação pessoal de Dago Woehl, descendente de alemães que, nos últimos 14 anos, se dedica a construir ali um museu a céu aberto da memória da imigração e da colonização de União da Vitória.
O projeto de Woehl é ambicioso: ele leva para o parque as casas típicas dos imigrantes europeus que recebe das famílias pioneiras. Cada uma é reconstruída no local, obedecendo as características originais da arquitetura. Três casas de colonos já estão prontas e ainda há duas para montar. São nessas casas em que os visitantes podem se hospedar, sempre em grupos, a partir de oito pessoas. Há ainda dois vagões de trem que também serão usados como hospedaria.
Colunistas
Agenda
Animal


