Turismo

Paris seduz até antes de embarcar

Gabriel Azevedo
17/10/2013 03:02
Na maior parte dos casos, a vida dos viajantes pode ser dividida em A.P. e D.P.: antes e depois de Paris. Viver La Vie en Rose pela primeira vez é uma experiência tão intensa e marcante que, às vezes, são necessários alguns dias para acreditar que realmente se está ali, disputando espaço com os japoneses, para tirar uma foto do sorriso tímido e reservado de Mona Lisa ou das curvas sensuais da Vênus de Milo.
Paris é inesgotável. Fãs de compras, gastronomia, cultura, história, sempre terão o que fazer, provar, ver e conhecer. Mas, para não arriscar, o batismo parisiense precisa incluir visitas ao Louvre, Torre Eiffel, Champs Elysées, Arco do Triunfo, Catedral de Notre-Dame, Galeries Lafayette, Jardim de Luxemburgo e Jardin des Tuileries. Sim, todos pontos batidos e sempre lotados, com filas, mas obrigatórios para quem estreia na Cidade Luz.
Mapa na mão
Nem todos os pontos turísticos ficam próximos. Até é possível (e indicado) percorrer alguns trechos a pé, como no caso dos três quilômetros que separam a Galeries Lafayette da Torre Eiffel. Para lugares mais distantes, é fácil usar a rede de metrô, com 213 quilômetros de trilhos e 14 linhas.
A cidade também pode ser explroda pela superfície. O L’Open Tour usa ônibus panorâmicos para quatro roteiros diferentes, todos com três horas de duração. No total, serão 50 pontos turísticos. Nas paradas, o viajante pode ficar quanto tempo quiser, e depois reembarcar. Os veículos rodam das 10 às 18 horas, a semana inteira. Os bilhetes, vendidos pelo motorista, custam 31 euros para um dia; e 36 euros, para dois. Os ônibus têm áudio guia em português.
Tempo e paciência
Lugares como o Museu do Louvre pedem muito mais que uma tarde ou uma manhã. Somente a lista de obras mais importantes consome um dia inteiro. Para não perder tempo, planeje o roteiro antes mesmo de comprar o bilhete.
Outros lugares exigem paciência. A Torre Eiffel é um exemplo. Subir seus 324 metros de altura pode exigir algumas horas na fila. O mesmo serve para Notre-Dame, catedral que comemora 850 anos em 2013, e o Arco do Triunfo. A regra não se aplica aos parques e jardins, como o de Luxerburgo, ideal para contemplar o fim de um dia cheio e corrido pelos monumentos parisienses.
Quando Napoleão Bona­­parte ordenou o início das obras do Arco do Triunfo, em 1806, certamente não imaginava que o monumento seria mais um apetrecho numa das avenidas mais luxuosas do mundo. As principais marcas estão lá, espalhadas pelos quase dois quilômetros de avenida. Na Champs Elysées, o passeio pode exigir uma carteira recheada. Os preços, combinado com o câmbio, não são dos mais convidativos. São comuns promoções de bolsas por 2 mil euros.
Se a máxima for economizar, as lojas do Quartier Latin, na margem esquerda do Rio Sena, em torno da Universidade de Sorbonne, são as melhores opções, com uma infinidade de suvenires que não passarão de 35 euros, por peça. Reduto de bares e restaurantes, o bairro também é ideal para terminar a noite, principalmente entre às 16 e 21 horas, quando os estabelecimentos fazem promoções de happy hour.
Roteiros para iniciados
Paris não aceita visitinhas. Como bem escreveu Betty Millan, nos anos de 1970: “Paris não chama ninguém, mas deixa supor que o faz; desde sempre se deixa cantar”. Delicadamente esnobe, Paris finge que não dá a mínima para ninguém, mas faz questão de que estejam lá, de preferência, mais de uma vez.
A cidade, que muda de cor a cada estação, oferece milhares de roteiros, vitrais escondidos e becos encantadores. É o caso da livraria Shakespeare and Company (37 Rue de la Bucherie), à esquerda da catedral de Notre-Dame. O lugar – que pode passar despercebido ao olhar desatento do turista – merece uma visita numa segunda ou terceira viagem à cidade.
Cenário de filmes como Meia-Noite em Paris e Antes do Pôr do Sol, a livraria Shakespeare and Company foi fundada em 1951 pelo americano George Whitman, num antigo monastério do século 16. Completamente fora do circuito do turismo tradicional, a livraria é um caos, com paredes cobertas de livros, suportes empoeirados, obras de cabeça para baixo, uma máquina de escrever velha, um piano quase destruído. Grandes escritores americanos passaram ou passam pelo lugar, que virou uma lenda. Sustentando o lema “não seja rude com estranhos, pois podem ser anjos disfarçados”, George Whitman abrigou mais de 40 mil escritores em início de carreira, que receberam cama e comida em troca de pequenos serviços, como organizar as prateleiras.
Como um parisiense
Em 2012, Paris recebeu 520 mil brasileiros. Certas de que boa parte desses viajantes sempre retorna, empresas locais se especializaram em roteiros específicos para brasileiros que querem avançar na exploração da cidade. É o caso da Localers (www.localers.com). A empresa, fundada por parisienses, promete experiências autênticas e inesperadas, com guias em português.
Entre as opções estão um tour culinário com um chef de cozinha pelos mercados de Paris; um passeio aos museus do Louvre e d’Orsay com historiadores da arte; um tour de compras pelas lojas mais descoladas da cidade e uma sessão de fotos com um fotógrafo profissional, uma tendência na capital francesa. Fotógrafos profissionais, inclusive brasileiros, fazem ensaios exclusivos nos lugares mais especiais de Paris. As sessões variam de 49 a 149 euros por pessoa.