Torre de Babel, de Geraldo Souza Dias, exposta até 9 de setembro.
A cidade de São Paulo é o maior centro cultural da América Latina. Os números indicam isso: são 257 salas de cinema, 120 teatros e casas de espetáculos, 39 centros culturais e 88 museus. É claro que não dá para conhecer muito em uma só visita, principalmente porque São Paulo costuma ser destino apenas para negócios de um ou dois dias, e falta tempo para fazer turismo. Por isso, o governo local criou o guia São Paulo – Fique Mais um Dia, com dicas para o viajante que queira esticar sua estada na capital paulista. O guia está disponível no site
www.fiquemaisumdia.com.br.
Se você tem mesmo apenas algumas poucas horas, entre uma reunião e outra, para desfrutar da colossal oferta cultural paulistana, a dica é a região da Estação da Luz. Dá para chegar de metrô até lá – o bilhete custa R$ 2,30 – e a Estação, por si só, já vale a visita. Ela foi aberta em 1901, com arquitetura inspirada em marcos ingleses, como a abadia de Westminter e o Big Ben, e sua importância está ligada ao transporte de café, principal produto brasileiro na época. Em 1946, um incêndio destruiu parcialmente o prédio, que foi reconstruído e ampliado em cinco anos.
Se por fora fora a suntuosidade da Estação da Luz impressiona, é do lado de dentro que está seu mais novo e rico tesouro: o Museu da Língua Portuguesa. Inaugurado em 2006, o museu promove uma viagem por nossa língua, com o auxílio de modernos recursos audiovisuais. A visita é feita de cima a baixo. Primeiro, sobe-se até o terceiro andar, onde assiste-se a um filme sobre a origem da linguagem e dos idiomas, e se visita a Praça da Língua, uma verdadeira imersão sensorial no idioma, entre textos e sons.
No segundo andar, um telão de 106 metros de comprimento, que percorre todo o salão, exibe filmes sobre o uso cotidiano da língua portuguesa. Além disso, há espécies de quiosques audiovisuais, onde se pode aprender um pouco da evolução do idioma. Parece coisa de museu estrangeiro. Por fim, no primeiro andar, ocorrem as exposições temporárias. Até o dia 2 de setembro, fica por lá a excelente exposição Clarice Lispector – A Hora da Estrela. Ao sair do museu, é impossível não concordar com Olavo Bilac: até pode ser inculta, mas como é bela a língua portuguesa.
Pinacoteca
Saindo da Estação da Luz, é só atravessar a rua para conhecer outra grande atração paulistana: a Pinacoteca do Estado, com cerca de 6 mil obras, principalmente de artistas nacionais do século 19 e contemporâneos. No primeiro andar, há exposições temporárias de arte contemporânea. No segundo, destaque para as esculturas em bronze do artista francês Auguste Rodin. Por lá, pode-se conferir também obras de Victor Brecheret, Eugenio Ceschiatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Cândido Portinari. De meia em meia hora, saem passeios guiados, que duram 50 minutos, desde a entrada da Pinacoteca. Vale a pena participar, já que, além do ingresso, não se cobra nada pelo serviço dos guias.
Um alerta: depois do passeio pela região da Estação da Luz, que pode incluir o Parque da Luz, o mais antigo da cidade, evite circular nas ruas. Quando escurece, a região não é lá das mais seguras.
Serviço: Museu da Língua Portuguesa – Praça da Luz, 1. Abre de terça a domingo, das 10 às 18 horas. Na última terça-feira do mês, fica aberto até as 22 horas. O ingresso custa R$ 4. Aos sábados, a entrada é gratuita. Fone (11) 3326-0775 / Pinacoteca – Praça da Luz, 2. Abre de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas. O ingresso custa R$ 4. Aos sábados, a entrada é gratuita. Fone (11) 3324-1000.