Turismo

Por dentro e por fora

Marcio Antonio Campos
09/02/2014 02:18
Não é qualquer destino turístico que tem potencial para atrair 55 milhões de visitantes em um ano, número estimado para 2014. Quem faz a primeira viagem ou vai pela enésima vez sempre terá o que descobrir em Nova York, em qualquer estação do ano. Com tantas opções de lazer, cultura e entretenimento, a Big Apple cabe nos mais diferentes perfis, em atividades a céu aberto ou entre muitas paredes. Museus, parques e até instituições oficiais são convites permanentes à exploração da cidade.
Mesmo o mais entusiasmado fã de arte sabe que, depois de duas ou três horas dentro de um museu, a atenção já não é mais a mesma: de repente, o visitante se flagra olhando displicentemente obras de grandes mestres ou antiguidades interessantíssimas. O que fazer, então, quando um museu tem tantas e relevantes obras em exposição que apreciá-las com a dedicação merecida levaria dias?
É o caso do Metropolitan Museum of Art. Seus 190 mil m2 de área os torna um dos maiores museus do mundo. A coleção é dividida em 17 departamentos, que incluem arte dos cinco continentes e objetos feitos desde o 7.º milênio antes de Cristo. Além de pinturas e esculturas, há objetos religiosos, instrumentos musicais, joias, utensílios, móveis, roupas, manuscritos, armaduras e uma infinidade de outros objetos que contam a história da arte e da civilização.
A arquitetura do Metropo­­­litan ajuda o visitante: a entrada pelo centro do prédio permite o acesso imediato a qualquer uma das galerias. Com o mapa do museu em mãos, vale a pena planejar o tempo lá dentro antes de iniciar a visita. Para apreciar com calma e atenção aquilo que considera mais interessante, o visitante pode seguir diretamente para a galeria onde estão suas obras favoritas, ou aquelas que tem mais curiosidade para ver, deixando para o fim aquilo que não é prioridade.
Se houver muitas galerias consideradas absolutamente imperdíveis, há a opção de dividir a visita em mais de um dia. O Metropolitan adota a política do pay what you wish: o valor de US$ 25 recomendado pelo museu não é obrigatório; há visitantes que pagam apenas alguns dólares, e outros que pagam até mais que a quantia recomendada. Também há a opção de se tornar um “associado”, pagando uma anuidade que garante livre acesso ao Metropolitan e ao Cloisters, uma coleção de arte medieval localizada no extremo norte de Manhattan.
Parque linear vira patrimônio de moradores
Sinônimo de parque, em Nova York, é e sempre continuará sendo o Central Park, no coração de Manhattan. Mas uma outra área, de dimensões bem mais modestas, se tornou o queridinho de muitos nova-iorquinos por sua história e envolvimento da comunidade. O High Line é um parque linear, aberto em 2009, e que aproveita um trecho de uma ferrovia elevada, inaugurada em 1934 para evitar frequentes acidentes que ocorriam quando os trens circulavam ao nível da rua, desativada nos anos 80.
Em várias ocasiões, o elevado esteve marcado para demolição e parte dele foi realmente posta abaixo em 1960. Mas, em 1999, moradores da região criaram uma associação que defendia o uso da estrutura como parque linear.
A reforma começou em 2006. O envolvimento da comunidade local é a chave para sua manutenção. A associação Friends of the High Line banca 90% dos recursos necessários para cuidar da área e reúne voluntários que prestam todo tipo de serviço.
O passeio pelo High Line começa em uma das várias entradas, por escadas ou elevadores espalhados por toda sua extensão. Percorrê-lo de ponta a ponta, com calma, não leva mais que duas horas. Ao longo do percurso há bancos e espreguiçadeiras para um descanso, além de quiosques de comida de oferta variada – churrasco, café, sorvete, tacos – que, no entanto, não funcionam no inverno. A tranquilidade é garantida por uma série de restrições: nada de animais, bicicletas, skates, bolas ou frisbees, por exemplo – o formato estreito do parque e o fato de ser um elevado já explicam porque certas atividades esportivas não seriam uma boa ideia.
Como uma recordação do uso original da estrutura, os trilhos foram mantidos em boa parte do comprimento do High Line, e o paisagismo incorporou, entre as 210 espécies vegetais encontradas no local, plantas que tipicamente crescem em ferrovias abandonadas. De vários pontos é possível avistar o Rio Hudson, que separa Manhattan do estado de Nova Jersey.
A caminhada pelo High Line tem uma certa dose de Big Brother: como ele está espremido por prédios residenciais e de escritórios – o parque alavancou a revitalização da área –, a chance de sempre haver alguém olhando é grande. Mas esse também é um dos trunfos do lugar, que registra taxas baixíssimas de criminalidade, atribuídas pelos mantenedores justamente ao fato de o visitante nunca estar sozinho.
O mundo inteiro em um só lugar
Há um pedacinho da ilha de Manhattan que tecnicamente não pertence aos Estados Unidos. São 69 mil m2 de território, entre o Rio East e a Primeira Avenida, que são, pode-se dizer, do mundo inteiro. O quartel-general da Organização das Nações Unidas foi construído entre 1948 e 1952, com a participação de um time internacional de arquitetos que contou com o brasileiro Oscar Niemeyer.
A visita guiada ao complexo das Nações Unidas permite conhecer um pouco do trabalho da organização e ver alguns dos lugares onde a ação acontece, como as salas de alguns dos conselhos da ONU, incluindo o mais famoso deles, o Conselho de Segurança. O prédio da Assembleia Geral, no entanto, está sendo reformado e está fechado à visitação. Obras de arte doadas por diversos países estão espalhadas pelo complexo, mas nem todas podem ser contempladas durante a visita. Uma peça especial é uma estátua de Santa Inês retirada dos escombros da catedral de Nagasaki, após a explosão da bomba atômica, em 9 de agosto de 1945. O contraste entre a cor da pedra na frente e nas costas da imagem mostra o impacto da explosão, ocorrida a apenas 500 metros de distância e que destruiu a igreja, matando todos os fiéis que assistiam à uma missa.

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